Como o desenho me ajuda na escrita e na criação de mundos fantásticos

 

✍🎨📖

Um rabiscador compulsivo

Eu sempre fui um rabiscador compulsivo, desde a infância.

Tenho alguns cadernos da época da escola que comprovam isso; mesmo nas páginas repletas das matérias de português, matemática e etc, as bordas estão repletas de desenhos estranhos. Em geral, desenho de criaturas não humanas e coisas do genêro.

Apenas adulto eu percebi que o ato de desenhar me ajuda a me concentrar e é por isso que mesmo em reuniões de trabalho, acabo rabiscando alguma coisa em uma folha de rascunho: para me manter focado no assunto da reunião.

Quando criança cheguei a pensar em me especializar isso e me tornar um desenhista de quadrinhos... Bom, para ser totalmente franco eu queria era me tornar um mangaká e cheguei a desenhar bastante com esse objetivo.

Mas a verdade é que eu não sou tão bom em desenho e deixo a desejar tecnicamente em muitos aspectos.

Ainda assim, continuo gostando de rabiscar e sigo preenchendo páginas de rascunho semanalmente com esboços aleatórios (a maioria ficam incompletos).

Em geral, os temas dos meus desenhos são os mesmos dos meus livros, embora eu não desenhe com a intenção de representar personagens ou lugares. Apenas esboços imagens que veêm à minha cabeça sobre a temática das histórias nas quais estou trabalhando.

Mas eu já fiz muito disso: desenhar os meus personagens e mapas dos cenários dos meus livros.

Acredito que eu deva retomar isso (de forma mais séria) e explorar isso, tanto para enriquecer minhas ideias como para aproveitar essas imagens nos meus livros, afinal, elas podem não ser boas o bastante para se tornarem quadrinhos, mas talvez possam servir de material de apoio valioso e talvez até de ilustrações dos meus textos.

Além disso, o meu processo criativo é bastante visual: geralmente eu imagino uma cena ou a figura dos personagens antes de começar a delinear uma história na minha cabeça. Então, quando desenho sobre o que estou imaginando ainda durante o processo de produção (ou mesmo durante) eu sinto que consigo construir e decidir melhor sobre os aspectos da história que estou criando.

Quem sabe eu não retomo esse velho hábito de forma mais consistente...

Abaixo deixo algumas ilustrações inspiradas na vila de Ergatan.

O Tigre e o Pescador

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Nesta imagen eu procurei retratar o fantasma do velho Ádavus e de um Tigre Dente de Sabre (não uma espécie real, mas uma versão deste animal no universo em questão).

Ádavus teve uma vida marcada pela tragédia, mas nem por isso baixou a cabeça para a tirania quando um criminoso invadiu seu vilarejo como um veneno fétido e corruptor. O velho pescador (e armador de barcos) decidiu seguir um caminho sombrio para garantir que completaria sua vingança: mesmo após sua morte.

Esse personagem é um elemento importante nesta saga fantástica, pois ele é pai (isso não é um spoiler, pois essa informação é apresentada na introdução do livro) de um personagem supostamente morto em um livro anterior (embora possa ser lido de forma independente): O Leão de Aeris.

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A vila de Ergatan recebeu esse nome devido ao seu clima nevoento, uma vez que a palavra Ergatan significa ao mesmo tempo "bruma" e também "espuma do mar". Isso porque a névoa sobe das águas do mar e adentra a vila litorânea com frequência, bem como a névoa também sobe das águas de um grande rio que desenboca no mar na fronteira entre esse vilarejo e as terras selvagens ao sul da Província de San Napolean.

Talvez eu traduza Ergatan para Bruma na próxima edição dessa história, sobre a qual eu pretendo melhorar algumas coisas (inclusive o título).

O Fantasma, o Tigre, o Tubarão e os dois andarilhos de Bruma

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Nesta imagem, além do fantasma do velho Ádavus e do tigre (que está bem abstrato), eu tentei retratar (fracassando miserávelmente no processo) um tubarão (que é uma metáfora para o vilão dessa história: um falso bonzo que tenta controlar os habitantes da vila como um tirano inescrupuloso) e os dois protagonistas da aventura: Edin e seu filho Dion.

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Outra ilustração que fiz no mesmo dia que as anteriores foi esta abaixo, em que tentei retratar a cena em que Dion precisa lidar com um tigre dente de sabre:

— Ora! Mas você é um bicho e não uma assombração, não é mesmo? — Indagou Dion com a voz trêmula enquanto espremia os olhos para ver melhor em meio a escuridão. Arfava apressado e lhe escorriam gotas de suor do rosto.

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Eu particularmente gostei desse esboço e nele eu coloquei também (muito mal, eu admito) a figura de um tubarão e um vulto o qual eu gostaria que fosse o fantasma do velho Ádavus... Mas, de modo geral, gostei do que fiz ao retratar o tigre de forma abstrata. Minha insipração para essa cena (tanto a escrita como a rascunhada acima com caneta bic) são ilustrações (no estilo japonês) que retratam um Bakeneko, que seria um Youkai surgido a partir do espírito rancoroso de um gato maltratado em vida (ou algo por aí...). Claro que o rabisco que fiz está representando a cena de forma metafórica, pois os tigres dente de sabre dessa história não são espíritos... Mas talvez eu esteja falando demais sobre isso (^__^)'...

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Tenho ilustrações melhores de Edin e Dion, mas deixo para postá-los aqui em outra oportunidade...

Por hora é isso...


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Éder S.P.V. Gonçalves
Osasco, SP, Brazil
É um ficcionista trevoso; escreve poema, romance e também conto. Mescla tom sério com humor ao falar sobre fantasia, mistério e terror. Mantém um blog onde posta textos por vezes sombrios e temperados com ácido humor.

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