O Evernote premium vale a pena?

Um elefante verde em um cenário cyberpunk

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Recentemente um e-mail do Evernote sobre a mudança no valor da assinatura premium me levou ao seguinte auto-questionamento: o Evernote Premium vale a pena para o meu uso?

Bom, um dos meus principais hobbys é a escrita, não a toa eu decidi criar um blog e já publiquei alguns livros e contos de ficção nos últimos anos (nos quais estou trabalhando para republicá-los junto a novas obras). E como o meu hobby me leva a escrever muito, e fazer muitas anotações e memorandos, bem como salvar muita informação de referência de artigos que leio na internet, uma ferramenta como o Evernote é uma ótima maneira de me organizar e centralizar o material que crio, aumentando minha produtividade.

Um elefante verde em um cenário de uma biblioteca cyberpunk 

A versão free do Evernote sempre me atendeu bem e eu só decidi assinar o plano premium do Elefante Verde quando a empresa resolveu impedir que as contas free conseguissem sincronizar mais que dois dispositivos simultaneamente, visto que eu trabalhava com o Evernote em pelo menos três equipamentos distintos (incluindo o celular).

Os demais recursos premium são legais e tudo, como o acesso offline ao conteúdo e a integração com o google agenda. Mas sinceramente não são recursos que eu uso muito.

Porém, como o valor da assinatura de R$ 80,00 anuais não ficava pesado para eu manter um hobby tão importante, resolvi assinar e foi assim por muitos anos.

Os anos passaram e neste ano de 2023 recebi o e-mail que mencionei no início do texto. O fato é que o valor da assinatura mensal vai aumentar, e bastante.

Por isso estou desde ontem testando o uso de outras ferramentas de controle de notas (como por exemplo o uso das ferramentas do Google para fazer um controle de notas), de modo que eu não precise mais seguir utilizando o evernote, ou pelo menos deixando de utilizar sua versão premium. Mas já fazem algumas semanas que estou refletindo sobre esse assunto, até porque essa não é a primeira vez que penso em mudar o sistema de gerenciamento de notas que adotei com o passar dos anos.

Nesse post vou refletir um pouco sobre o assunto enquanto escrevo sobre ele, vou ponderar o que é útil para mim e o que não é e também vou falar sobre algo para o qual tenho estado alerta desde que decidi criar meu blog: que é o quanto essa geração é dependente dos algoritmos dos “terrenos alugados na internet”.

Depois de ler algumas listas de apps de anotações (inclusive algumas indicadas para escritores) eu encontrei uma que menciona o Google Docs, o que chamou minha atenção, afinal o Google Docs não é exatamente uma ferramenta para fazer gestão de notas.

Mas aí eu me perguntei: mas quem precisa de algo tão extraordinário como um “sistema de gestão de notas”? Eu escrevia minhas notas no bloco de notas quando passei a ter acesso ao computador e, ainda assim, continuava a escrever também em cadernos e blocos de papel. Muitas das notas que escrevi no “bloco de notas” eu salvei a alguns anos no evernote. Esses textos possuem uns 18 anos desde que foram escritos e isso prova que o Bloco de Notas não é necessariamente uma opção ruim para escrever e armazenar um texto. Pensando dessa forma, o Google Docs até parece uma opção bastante instigante e moderna, ainda que não se compare com um sistema que tenha sido projetado não apenas para ser um processador de texto, mas para também gerir anotações e permitir organizá-las de várias formas.

Então pode ser que o uso do Google Drive e do Docs não seja o caminho mais adequado para fazer um controle de anotações por não ter sido criado para isso e sim para ser um processador de texto, mas também pode ser que seja, afinal a imaginação e a flexibilidade das ferramentas computadorizadas nos abre muitas portas e possibilidades.

É fato que o Docs do Google e o Drive podem ser boas opções para eu escrever meus livros, contos e postagens para o meu Blog e organizá-los em pastas.

Se eu quiser ler, editar ou apenas continuar escrevendo um livro, basta abrir a pasta, o arquivo referente ao capítulo e enfim, até nenhuma vantagem que o Evernote possa ter sobre o Google Docs, sobre o Word ou mesmo sobre o Bloco de Notas no Windows.

Mas talvez os processadores de texto não sejam a melhor opção para controlar as anotações gerais que faço sobre tudo. Isso porque o Evernote reúne recursos interessantes como Tags e um poderoso mecanismo de busca para encontrar rapidamente anotações aleatórias. Deste ponto de vista é preciso lembrar que a proposta do Evernote é ser uma ferramenta na qual você anota algo que não quer esquecer e que poderá precisar futuramente e, quando este momento chegar é só usar o Evernote para se pesquisar e encontrar o que você quer se lembrar. Não é à toa que o seu símbolo é um Elefante; um animal com extraordinária memória.

Por outro lado, pessoas também possuem memória extraordinária (desde que a treinem) e não precisam de tanto para organizar informações que porventura possam precisar resgatar no futuro. Eu mesmo, antes do Evernote ser fundado, usava o Gmail para salvar informações que precisava lembrar. Eu mandava um e-mail para mim mesmo e, quando tinha que lembrar da informação, pesquisava no Gmail (que aliás, também possui um excelente motor de busca). O lado ruim do e-mail é excluir um e-mail de memorando útil por engano quando você estiver filtrando outros e-mails (como SPAM) que quer mandar para a lixeira. Então esse quebra galho com o Gmail é bem arriscado, mas ajuda, ao menos me ajudou no passado (nas raras ocasiões em que precisei fazer uso disso).

Aliás, também é preciso considerar que eu raramente uso o Evernote dessa forma. Ou pelo menos posso dizer que este não é o uso mais frequente que faço dessa ferramenta. Quanto a isso, eu poderia organizar o Google Drive e ter uma pasta com um documentos para esse tipo de memorandos, anotações genéricas, artigos da internet, etc. E quando eu precisar pesquisar por algo, sei que vai estar nessa pasta em alguma dessas notas genéricas. Mas ainda não estou muito confiante quanto a isso; principalmente porque os meus métodos de organização nunca rendem muitos frutos devido a minha tendência de complicar desnecessariamente as coisas. Talvez a saída seja encarar esse momento como uma terapia e uma busca pela simplicidade e praticidade nesse meu controle de notas. Ou talvez do controle de forma geral (acho que sou muito controlador quando o assunto é informação).

Claro, trocar o Evernote por qualquer outra ferramenta ou método de anotação é algo que eu preciso testar muito antes de tomar essa decisão, simplesmente porque todo o meu controle de anotações hoje é baseado no Evernote (claro que quantidade não quer dizer qualidade, mas hoje eu tenho mais de 3000 notas no evernote; incluindo os textos dos meus livros e contos, assim como artigos salvos da internet, rascunhos, postagens do meu blog, etc). Mas ao mesmo tempo não posso “não fazer nada”, visto que o valor da assinatura do Evernote subiu de forma absurda este ano, passando dos R$ 80,00 que eu vinha pagando anualmente para R$ 264,90. Estamos falando de uma diferença de R$ 184,9 a mais. Ou um aumento de 69% no valor da assinatura.

A Evernote explicou, no e-mail que enviou avisando sobre o aumento na cobrança, que o aumento é para ajudar a manter a ferramenta atualizada e que o cliente não irá pagar mais pela mesma ferramenta e sim por uma ferramenta cheia de novos recursos, visto que eles irão adicionar novas funcionalidades e melhorias, como por exemplo:

Edição em tempo real (permitindo, por exemplo, que mais de uma pessoa edite a mesma nota ao mesmo tempo), tecnologia de sincronização (prometendo resolver conflitos de versão em notas; algo que de fato tem diminuído muito nos últimos tempos em vista de como estava há algum tempo) e a assistência IA (como a I.A. é um tema que tem ganhado destaque nos últimos tempos por causa do ChatGPT e ferramentas para geração de imagens como o Wombo Art e o MidJourney, era de se esperar que outras empresas e serviços de tecnologia quisessem inserir mecanismos para chamar de I.A. em seus produtos, neste caso a Evernote traz a funcionalidade de “limpeza de nota” e “pesquisa IA”, embora eu não consiga dizer ainda o quão relevante isso vai ser para uma ferramenta que já possui um mecanismo de pesquisa tão bom e, no que diz respeito à limpeza de nota, eu não sou particularmente muito entusiasmado, visto que como escritor não quero saber de uma I.A. mexendo nos meus textos, nem mesmo em meus rascunhos; os quais quero exatamente como os deixei).

No e-mail a Evernote ainda diz que há mais que isso pela frente na ferramenta. Eles sempre dizem isso mas, em defesa da empresa e sendo um cliente de muitos anos da Evernote, eu posso e até devo dizer que eles sempre trazem melhorias para o Evernote (talvez não na velocidade que grande parte do público queira; mas na minha opinião o que importa mais em uma ferramenta é a sua proposta do que ficar mudando ou incrementando essa proposta a todo momento).

Contudo, apesar da defesa que fiz quanto ao esforço da Evernote em melhorar seu produto ao longo dos anos, eu não me convenci de que os recursos e melhorias citados no e-mail justifiquem o aumento exorbitante no preço e por isso estou disposto a migrar para outra plataforma e/ou voltar a usar o plano gratuito.

Essa situação com a Evernote me fez parar para refletir sobre algumas coisas, como por exemplo, como somos reféns desses “terrenos alugados” no mundo digital. No caso, os “terrenos alugados” são os vários serviços digitais que usamos, como redes sociais ou serviços de e-mail, ferramentas de anotações (como Evernote, Google Keep, Notion, etc), entre outros.

O problema com essa coisa toda é que não somos os donos desses serviços que usamos e nos quais às vezes centralizamos parte de nossas vidas (nossos álbuns de foto da família, nossos textos e memorandos, o conhecimento acerca do nosso trabalho, etc). Sendo assim, quando as empresas resolvem mudar as regras do jogo, como aumentando o valor de uma assinatura, encerrando um serviço ou modificando algum recurso de modo que nos desagrada, não temos muito o que fazer a não ser nos adaptarmos às mudanças; seja aceitando-as ou mudando para um serviço concorrente.

Essa é exatamente a mesma questão que me levou a comprar o meu próprio domínio para manter o meu Blog e me concentrar mais em escrever para ele (o meu Blog) do que me esforçar tanto com postagens em redes sociais. As redes sociais são um terreno alugado cujas regras não controlamos, enquanto que com um endereço próprio na internet temos um pouco mais de domínio sobre o nosso próprio terreno e o nosso próprio conteúdo.

Eu li um artigo muito bom, no Blog da Letícia Portella que fala sobre isso. Foi depois de ler o post dela sobre o assunto que decidi finalmente ter o meu próprio domínio e, na medida do possível, evitar ser refém das ferramentas e soluções de terceiros (isso pensando na época no meu hobby de escrever em redes sociais e serviços de Blog com domínios gratuitos). Eu entendi que valia muito mais a pena escrever no meu próprio espaço.

Mas eu ainda não havia parado para pensar que isso também se aplica às ferramentas digitais que usamos para os mais variados fins.

Por exemplo, imagine que uma pessoa hipotética decide usar o Google Drive como HD principal para os seus trabalhos (sejam eles textos, desenhos, fotos ou o que quer que seja). Com o passar do tempo, ela vai ter muita coisa salva nesse HD digital. Se, de uma hora para a outra, a Google cobrar por esse serviço ou pior ainda, e se a Google encerrar o serviço, não restará outra opção para a pessoa hipotética do nosso exemplo aceitar essa decisão, pagando o valor cobrado ou fazendo o download do seu conteúdo para então migrá-lo para outro serviço ou deixando-o em um HD físico.

Bom, eu disse que não havia parado para pensar nisso, mas apesar disso eu já vivenciei pequenas experiências desse tipo com vários serviços digitais ao longo dos anos (muitos de nós já passamos por isso). O caso mais lembrado é o do Orkut, mas eu vivi isso mais com Google, com a Microsoft e também já passei por isso com a Evernote antes. Na época eu assinei a versão premium do elefante verde porque eles limitaram o uso do app em vários computadores na versão free e desde então eu tenho pago a assinatura anual principalmente por esse motivo.

Mesmo já tendo passado por essa experiência antes, eu não tinha ainda parado para filosofar sobre o quanto somos dependentes do mundo digital e o quanto devemos evitar essa dependência ou pelo menos tentar manter essa dependência sob controle.

Caderno escrito a mão

Antes dos computadores serem acessíveis e existirem tantos aplicativos e serviços para controle e armazenamento de notas (e arquivos em geral) eu tinha vários cadernos e blocos de papel onde fazia minhas anotações com caneta e lápis. Ainda tenho muito desse material guardado e devo dizer que o maior problema com esse jeito mais arcaico de anotar e armazenar informação eram dois:

O primeiro problema era “eu mesmo”, que sou muito desorganizado e pouco prático;

O segundo problema era o fato de eu não poder carregar por aí um monte de cadernos e blocos de notas para poder consultar essas informações a qualquer momento (apesar de que, como eu disse, não é como se eu precisasse fazer isso a todo momento).

Caderno escrito a mão

Por outro lado, acho que o jeito analógico de anotar informações (sejam quais forem) possui muitas vantagens, começando pelo maior foco (com papel e caneta em mãos não temos tantas distrações como quando temos nessas mesmas mãos uma tela tão cheia de possibilidades atraentes competindo por nossa atenção). Outro fator para o maior foco no método analógico de “tomar notas” é o fato de que temos que racionalizar mais sobre o que vamos escrever, desenhar e/ou esboçar, pois o papel não admite uma quantidade ilimitada de erros e não tem espaço infindo para borrões. Então atenção extra faz com que consigamos memorizar melhor o que escrevemos de forma analógica.

Além disso, quando você guarda suas anotações, pensamentos, ideias, textos e desenhos em um caderno físico; esse caderno é seu, para sempre (desde que esse caderno seja bem cuidado, ele irá durar por décadas ou até mesmo séculos). Por outro lado, quando você guarda tudo isso em um serviço digital, por mais que o material intelectual seja seu, ele está em um espaço alugado que não te pertence e ao qual você estará atrelado enquanto o seu material estiver lá. Veja bem, não é você quem decide cuidar bem dos servidores do Google ou do Evernote, você não escolhe como protegê-los das intempéries do mercado financeiro, das decisões dos sócios, etc. Claro, essas são grandes empresas que visam proteger seu capital, então é de se esperar que elas perdurem bastante tempo no mercado, mas isso não só não é garantido como também a sobrevivência no mercado implica em mudanças (as quais podem não agradar os donos do material intelectual armazenado nessas empresas). Um exemplo é o tema de hoje: a mudança no valor da assinatura do Evernote. Outros exemplos existem aos montes (desde serviços cancelados e empresas falidas, como também mudanças no próprio serviço que desagradam seus usuários).

Quando você tem o seu material intelectual armazenado em um caderno físico, ele não sofre mudanças e você não corre o risco de perder o acesso a ele (a menos que ele seja roubado ou destruído em um incêndio: temos que admitir que essa também é uma possibilidade que embora remota, não é nula). Mas em contrapartida, o material que está guardado em uma empresa na forma de um serviço (como o Evernote) possui mais chances de te impossibilitar de acessar o seu material ou sofrer mudanças que impactarão o seu acesso. Suponhamos que esse serviço saia do ar por algum problema técnico ou por um bloqueio judicial ou algo do tipo. Se isso acontecer, você perderá o acesso ao seu conteúdo (ainda que seja de forma temporária). Quem nunca viu o e-mail do Google ficar fora do ar? E estamos falando de uma das maiores empresas da atualidade.

Uma outra possibilidade é a empresa informar por e-mail que está encerrando o serviço (exemplo o Evernote) e pedir para os clientes fazerem o download do seu conteúdo até uma determinada data. Agora, imagine que um desses clientes está internado com algum problema de saúde e está inconsciente, sem ter como ler seus e-mails e tomar uma medida em relação ao seu conteúdo. Vamos supor também que sua família não tem a senha desse cliente hipotético e talvez nem faça ideia do que é o Evernote ou que seu familiar internado tem algum material lá para se preocupar com isso. Então, o indivíduo dessa história se recupera (felizmente) e recobra a consciência uma semana após o prazo ter expirado e o seu conteúdo ter sido eliminado (infelizmente) pela Empresa que encerrou o serviço em questão.

Por mais que este pareça um cenário hipotético específico demais para acontecer no mundo real, eu garanto que ele é bem plausível e deveria ser uma preocupação para qualquer um que tenha trabalhos (qualquer produto intelectual) salvo na famosa “nuvem” na forma de algum serviço digital (pago ou gratuito) e que não queira correr o risco de ter seu trabalho deletado por eventuais intempéries da vida que possam se abater sobre as pessoas e empresas desse estranho ecossistema moderno do qual fazemos parte. Não precisamos falar apenas em “trabalho” e “conteúdo intelectual”, pois podemos usar como exemplo também fotos (de família, viagem, etc) que costumamos guardar na nuvem pensando que estamos optando pela escolha mais segura. Bom, não vou dizer que não é uma escolha segura, mas que seria válido escolher ao menos as fotos mais importantes, para que sejam impressas de forma analógica para o caso de uma eventualidade dissipar essas tão faladas nuvens modernas.

Talvez devido a esse meu passado tão impregnado de papel e caneta, eu cresci sendo um fã de papelaria e talvez por isso também que essa não é a primeira vez em que penso em me tornar menos dependente das ferramentas digitais para fazer o controle das minhas notas. Já tentei usar o conhecido método “Caderno de Lugar Comum” (que voltou um pouco aos holofotes depois da série “Desventuras em Série”, baseado em uma série de livros com o mesmo nome). Mas, na época, minha tentativa de ficar menos dependente das ferramentas digitais falhou por um motivo: fazer uso de papel e caneta para escrever exige um tempo que nem sempre temos.

Por exemplo, eu costumo escrever muito quando estou no fretado (indo ou voltando para a empresa onde trabalho). Eu escrevo no celular, usando o evernote para guardar minhas notas. Agora, imagine fazer isso com papel e caneta, em um ônibus fretado que sobe e desce tanto quanto um barco em meio a um mar tempestuoso? Apesar do aparente exagero dessa frase, quem conhece os altos e baixos da geografia de Osasco e Carapicuíba sabe que seus morros bem poderiam ser as ondas monstruosas do mar em meio a uma tempestade. Enfim, tudo isso para dizer que escrever com papel e caneta em um ônibus é um tanto quanto mais difícil do que com um smartphone.

Então, para usar o papel e a caneta eu preciso adaptar os horários em que costumo escrever mais. Então, trocar uma coisa pela outra nem sempre é algo viável.

Mas, felizmente, as coisas não são 8 ou 800. Como diz Buda, o melhor é o caminho do meio. Acredito que o Evernote tornou-se uma questão recentemente para o meu controle, porque é uma ferramenta que se tornou muito cara para o uso que faço dela. O que eu preciso, em termos de “digitar minhas notas” pode ser obtido por uma ferramenta gratuita (até mesmo o próprio Evernote, mas com o plano Free). Mas não custa pesquisar na concorrência por outras opções, para poder compará-las.

Quanto aos meus livros e contos, eu acredito que posso escrevê-los no Docs do Google (na verdade, minha última experiência com o Docs foi a digitação desse post e, para minha surpresa, gostei do corretor ortográfico e da experiência geral de escrever um texto mais longo nesta ferramenta).

Quanto aos recursos analógicos de que tanto gosto, posso usá-los para os textos que eu considerar mais importantes: como reescrever à mão meus livros e contos, poemas e coisas do tipo. A experiência de escrever à mão pode, inclusive, revelar coisas que ficam escondidas dos nossos olhos quando apenas “digitamos” o texto. E também posso tentar manter um “caderno de lugar comum” mais simples para memorandos e esboços (quando eu estiver em um lugar e momento que possibilite o uso de papel e caneta).

Ou seja, Buda poderia muito bem estar aconselhando os aficionados por anotação e sistemas de gerenciamento de notas que o melhor é diversificar suas estratégias e não confiar em apenas um serviço ou meio (digital ou analógico) para guardar seu “tesouro intelectual” ou qualquer que seja o conteúdo que, por ventura, você armazene hoje apenas na “Nuvem”.

Um elefante verde em um cenário cyberpunk
Chego à conclusão de que o Evernote Premium (hoje assino o plano Personal) não vale a pena para o meu uso da ferramenta, ainda mais considerando o novo valor anual de R$ 264,90. Vou mudar o meu plano para o Free (mesmo com a limitação de permitir sincronizar apenas dois dispositivos) e, enquanto isso, vou testar  outras soluções no mercado.

Em paralelo, vou buscar escrever analogicamente o material mais relevante que tenho, para não ficar preso apenas à Nuvem (e também porque gosto da experiência de escrever à mão).

Além dessa conclusão, eu penso que em se tratando de ferramentas e serviços digitais, nunca é possível pensar que não teremos de mudar nossa abordagem de gestão de notas e armazenamento do nosso próprio conhecimento pela característica intrínseca que essas ferramentas possuem de mudar com o passar do tempo e nos forçar a adaptações nesse processo (às vezes bem-vindas e às vezes ruins). De modo que é bom refletir bastante para que ao invés de fazer de uma ferramenta a sua aliada, não se acabe criando um problema a ser resolvido.

Um elefante verde em um cenário cyberpunk




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