A Nasa anuncia de uma vez uma lista de 1284 exoplanetas

Mundum in Parvo Magnum

A Nasa anuncia de uma vez uma lista de 1284 exoplanetas, sendo que destes, 9 estão na zona habitável. Tudo graças ao Kepler e aos esforços da comunidade cientifica.
Mas este tipo de notícia já não é novidade no meio cientifico e, mesmo o publico comum já não vê como novidade a divulgação de uma descoberta ou outra que aponta para outros mundos em que há alguma probabilidade de abrigar vida, mesmo que um tipo de vida que nós sequer consigamos imaginar. Se você é uma daquelas pessoas que acredita que isto seria impossível - a existência de vida em outros mundos -, então saiba que você está contra as probabilidades. Mas esta é já outra questão.
Eis então mais 9 planetas; nove mundos com potencial capacidade para abrigar vida. Mais 9 de vários planetas possíveis nesta vastidão que chamamos universo. Mas o que é um universo? O que é um mundo? Para além da física e outras matérias cientificas a pergunta é também um tanto filosófica.
Tenho certeza de que há um mundo em você, tão único quanto o próprio dono e tão ou mais vasto que a imensidão impensável que abriga os planetas rochosos já captados pelo Kepler...
Já dizia o filósofo São Gregorio Nazianzeno; "Não é o Homem um mundo pequeno, que está dentro do mundo grande; mas é um mundo, e são muitos mundos grandes, que estão dentro do pequeno". [1]
E outro grande pensador ainda comenta, sobre o que dizia São Gregório; "Os filósofos antigos chamaram ao homem mundo pequeno; porém S. Gregório Nazianzeno, melhor filósofo que todos eles e por excelência o teólogo, disse que o mundo comparado com o homem é o pequeno e o homem em comparação do mundo, o mundo grande; mas um é um mundo e são muitos mundos grandes que estão dentro do pequeno. Basta por prova o coração humano, que sendo uma pequena parte do homem, excede na capacidade a toda a grandeza e redondeza do mundo (...) Nesta máquina do mundo, entrando também nela os céus, as estrelas têm seu curso ordenado que não pervertem; o sol tem seus limites e trópicos fora dos quais não passa; o mar, com ser um monstro indômito, em chegando às areias, pára; as árvores, onde as põem não se mudam; os peixes contentam-se com o mar, as aves com o ar; os outros animais com a terra. Pelo contrário o homem, monstro e quimera de todos os elementos, em nenhum lugar pára, com nenhuma fortuna se contenta, nenhuma ambição, nem apetite o farta; tudo perturba, tudo perverte, tudo excede, tudo confunde, e como é maior que o mundo não cabe nele".
E repito exatamente o trecho "E como é maior que o mundo não cabe nele"... Certamente, não poderia lançar mão de explicação melhor que a de António Vieira para expor o sentimento que fundamenta a criação deste canal.
Pois é justamente isto; quando o mundo que abrigamos em nós torna-se deverás grande, não cabe mais em nós mesmos e nem mesmo no universo - seja lá o que este for.
Há outros mundos além daquela fronteira que a visão comum não é capaz de ultrapassar... E eu gosto de construir veículos capazes de viajar até estes outros mundos. Estes veículos especiais são constituídos de capa e miolo (falando resumidamente) e só precisam de um piloto suficientemente concentrado para executar as manobras de pilotagem.
Este é um projeto grande, o de transformar um destes mundos em um trabalho de literatura fantástica. Mas para isso precisarei ir até ele e explorá-lo. Como capitão destes veículos fantásticos que engendrarei nas forjas ardentes da criatividade, eu lhe convido a participar de minhas viagens exploratórias. Gostaria de poder dizer que humildemente serei vosso guia nesta jornada, mas a verdade é que tanto eu como quem se arriscar a me acompanhar, correrão o risco de se perderem nas profundezas desta outra Terra, na outra margem do rio que separa os mundos.
Eis um pouco mais sobre o porquê escrevo e o que pretendo com isso.
Por ora fico por aqui.


[1] - Extraído de "Sermão de São Roque (1652), de Padre António Vieira. Pode ser consultado em: Link_1, Link_2, Link_3.




Kepler Planets.jpg

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Éder S.P.V. Gonçalves
Oz, São Paulo, Brazil
Em uma cabana na montanha vive um monstro. A criatura selvagem é um ficcionista perigoso; escreve poema, romance e também conto. Em tom sério (e às vezes também com humor) fala sobre fantasia, mistério e terror. Mil hobbys ele tem; até desenvolvedor de jogos, podcaster e programador. De vez em quando se veste de humano e anda por cidades cinzentas só para saber como é viver em um cenário de horror. Este é um perigoso Ideário, pois é o caderno de anotações de um monstro polimático.