Dicas para escritores independentes interessados em publicar e vender seus livros

 

Uma imagem de uma máquina de escrever e um livro aberto ao lado, e um teclado e um podcast no fundo, com um crânio ou uma abóbora de halloween ao lado

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Hoje vou dar algumas dicas para escritores independentes, principalmente aqueles que estão iniciando nesta árdua aventura da autopublicação. Nesse processo vou aproveitar para fazer algumas reflexões sobre esse tema.

Muitos escritores interessados na publicação de suas obras desejam divulgar seus livros, obter vendas, leitores e reconhecimento. Isso é natural, afinal, parte das pessoas que escrevem querem ser lidas e uma parcela delas tem o desejo de viver de sua arte.

Note que eu digo que uma parte das pessoas que escrevem possui esses desejos, pois nem todos os escritores sentem ou pensam nessas coisas. Pode parecer estranho para os autores independentes (que desejam publicar e vender suas obras) ouvir isso, mas esta é a verdade. O motivo para isso é bem simples: escrever e publicar livros são coisas bastante diferentes.

Há no mundo, há bastante tempo, muitos tipos diferentes de escritores. Temos aquelas pessoas que começaram a escrever em cavernas com o intuito de registrar suas histórias e de alguma forma perpetuá-las. Temos também pessoas que escrevem em seus diários, pessoas que escrevem em seus diários "virtuais"; sejam arquivos de computador armazenados apenas nos discos rígidos locais de suas máquinas ou blogs (diários virtuais online, que podem ser lidos por quaisquer pessoas com acesso à internet). Temos pessoas que escrevem também em suas redes sociais e pessoas que escrevem também de muitas outras formas. Talvez, os escritores mais antigos tenham sido aquelas pessoas que contavam histórias ao redor de uma fogueira, de modo a deixar registrada na mente dos ouvintes contos e fábulas épicas ou assustadoras. Hoje, as pessoas ainda escrevem dessa forma; narrando suas histórias e registrando-as na mente das pessoas através da fala. Essas pessoas também possuem muitas outras formas de fazer isso hoje em dia, graças ao avanço da tecnologia; como programas de rádio, TV, podcasts, áudio-livros, etc.

Como podemos ver, escrever não se limita a usar letras e palavras. Na verdade, escrever significa registrar ideias e, quase sempre, registrar um conjunto de ideias elaboradas que, quase sempre, acabam compondo uma história. Não importa se essa história é destinada ao próprio escritor: como um diário em que o escritor deseja registrar como foi o seu dia, os sentimentos que teve, os eventos pelos quais passou ou os aprendizados que teve com esses eventos. Não importa também se essa história é destinada a outras pessoas: com o intuito de ensinar, encantar, entreter ou uma mistura de tudo isso.

Escritores são criaturas bastante variadas, versáteis e estão por aí, aos montes.

Creio que, de todas essas criaturas, apenas uma parte tenha o desejo de publicar suas histórias e, uma parte ainda menor, queira comercializar suas histórias.

É certo que, com o avanço constante da tecnologia e o surgimento das plataformas de autopublicação que surgiram no mercado na última década, o número de escritores interessados em publicar e vender seus livros aumentou.

Para esses escritores, interessados em se autopublicar e vender seus livros, eu tenho algumas sugestões que podem ser úteis no longo e curto prazo...

Transforme o seu livro em um podcast

Pense em criar uma versão do seu livro em formato de podcast. O podcast é uma mídia bastante versátil e que permite a narração de histórias em diversos formatos. Um podcast não é o mesmo que um áudio-livro. A diferença é que enquanto áudio livro é um arquivo de áudio completo do livro, o podcast é dividido em capítulos separados, nos quais, além da narração de um trecho da história, o autor pode fazer comentários sobre sua própria obra antes da narração ou ao final desta, pode convidar os leitores a interagirem com comentários, opiniões, etc. Além disso, você ainda pode aproveitar o podcast para falar um pouco sobre você, seu processo de escrita, etc. Eu acho que o podcast é um formato que combina bastante com a Ficção Científica. Essa é uma sugestão de longo prazo, mas que é muito valiosa se trabalhada com afinco e paciência ao longo do tempo.

Sei que começar um podcast não é tão simples ou fácil, mas por outro lado, essa é uma tarefa que está longe de ser complicada, graças ao avanço da tecnologia. Eu recomendo o Podcast do Spotify ( [https://podcasters.spotify.com](https://podcasters.spotify.com/) ), que antigamente era conhecido como Anchor.

Eu mesmo já criei um podcast lá para divulgar um livro (que eu havia publicado no passado). Minha experiência com o podcast é que ele ajuda sim a divulgar o livro e, embora ele não signifique por si só mais garantias de venda do seu livro, é um aliado no que diz respeito a fazer as pessoas conhecerem a sua obra e se interessarem por ela.

Procure por pessoas que trabalham com divulgação de obras

Procure por pessoas que trabalham com divulgação de obras. Em alguns grupos na internet (como no Facebook) há pessoas que trabalham exclusivamente com a divulgação de obras. Eu administro um grupo literário no Facebook (embora eu não seja um administrador presente, devido aos motivos que já expliquei anteriormente) e o indico para que você procure por parcerias lá. O lado bom dessa estratégia é justamente a possibilidade de encontrar pessoas que dedicam o seu tempo apenas para a divulgação de obras, ou até mesmo a parceria com blogs relacionados ao tema. Esta é uma sugestão de curto prazo, mas que pode exigir algum investimento; seja de dinheiro ou também tempo, caso a parceria envolva a troca de ajuda com outros profissionais do meio usando as várias habilidades que um autor independente vai aprendendo com o tempo.

Link do grupo: https://www.facebook.com/groups/escrevaeleia/

Se divulgue também

Procure se divulgar também. Na minha opinião, os leitores nem sempre compram livros; às vezes eles compram os autores primeiro. Um exemplo do meu pensamento a esse respeito (dentro de um gênero que eu gosto muito) é que existem ótimos livros de terror, mas o grande público vai procurar pelos livros do Stephen King quando querem ler um livro de terror. Claro, os livros do King são ótimos em matéria de terror, mas convenhamos; o terror não é feito apenas de Stephen King, mas o mercado e os leitores não costumam falar tanto sobre Robert W. Chambers, sobre Mark Twain (um dos livros mais assustadores que eu já li é do Mark, mas ele é lembrado apenas por suas histórias mais infantis e aventurescas), sobre Shirley Jackson ou Rudyard Kipling (que escreveu inúmeros contos de teor sobrenatural). Enfim, em geral as pessoas reproduzem o mesmo comportamento do mercado e das editoras que buscam publicar apenas o que eles sabem que todo mundo conhece e gosta. Em geral, as pessoas não buscam arriscar muito neste e em outros aspectos. Por isso, um autor deve buscar meios de se tornar conhecido, tanto quanto possível, mas dentro das suas possibilidades atuais.

Não caia na armadilha do "sucesso"

Digo isso para esclarecer outro ponto importante no que diz respeito ao interesse em divulgar seu trabalho como escritor: não caia na armadilha do "sucesso". Foque em formar um público que tenha os mesmos interesses que você, mesmo que seja um público pequeno (quantidade não se traduz em qualidade). Foque em trabalhar a divulgação com esse público da forma mais natural possível. Com o tempo e de forma natural, seu público vai crescer (se muito ou pouco, isso depende de inúmeros fatores, incluindo a sorte, então não se deve preocupar com isso: foque em dialogar com as pessoas que gostam de histórias como as que você gosta de contar).

Vejo muitos escritores em busca de reconhecimento e sucesso, mas poucos param para pensar sobre "o que é o reconhecimento" e o que é "sucesso" em se tratando de ser um escritor e ter uma obra publicada? É ter 1 leitor? É ter 10 leitores? É vender 100 unidades de uma obra? É vender 1 milhão de unidades de uma obra?

Haruki Murakami diria que sucesso nesse meio é poder viver apenas da literatura (ele dá a entender isso em sua obra biográfica "Romancista como Vocação", mas ele não fala isso de forma arrogante; longe disso, mas sim para defender outro ponto, sobre o qual eu concordo, mas ainda assim faço minha crítica à visão que ele tem sobre o assunto). Eu entendo a visão do Murakami, porém acho que a quantidade de escritores no mundo (que não vivem) da literatura é bem maior do que a quantidade de escritores que podem viver apenas da venda de suas obras. Digo isso porque existe aí uma confusão sobre "ser escritor" e "vender livros". Embora ambas as coisas se confundam em nosso mundo capitalista, essas duas coisas são fundamentalmente diferentes.

Um escritor é como um alpinista. Se alguém perguntar "por qual motivo os alpinistas escalam montanhas" a resposta correta é "porque as montanhas estão lá" e uma outra forma de interpretar essa mesma resposta é dizer que "escalar montanhas está na alma dessas pessoas: faz parte de sua natureza essencial". Se não me falha a memória, esse também é um exemplo que o próprio Murakami dá sobre o que é ser um escritor.

O mesmo pode ser dito sobre os escritores. Se em um evento hipotético a venda de livros for proibida no planeta Terra por uma entidade superior (espiritual, alienígena ou seja lá o que for), os escritores continuarão escrevendo, simplesmente porque as histórias vão ficar martelando em suas cabeças, pedindo para serem expressas de alguma forma: em narração ao redor de uma fogueira, escritas nas paredes das cavernas, em folhas de papel, em podcasts, etc.

Quanto à venda de livros e à quantidade de leitores, isso trata-se apenas de números e se esses números podem se tornar ou não uma prova de que um escritor pode viver apenas da venda de seus livros. O fato é que há formas mais rápidas e certeiras de ganhar dinheiro se esse for o seu principal objetivo. Deve-se ter uma visão realista do mercado literário: a maior parte dos escritores não vive de sua produção literária. Algo similar ocorre, por exemplo, no esporte em geral: são poucos os atletas que vivem apenas do esporte e uma parcela ainda menor "enriquece" com o esporte. Na verdade, a grande maioria dos atletas precisa trabalhar em outra coisa para se sustentar. O mesmo ocorre com os escritores.

Isso não significa que escrever não valha a pena. O conceito de valor e riqueza deve ser pensado e refletido de forma ampla. Dinheiro não é a única riqueza que existe (e nem é a mais importante). Os escritores devem pensar no valor que suas palavras e histórias possuem. Escritores podem entreter, encantar, ensinar e preservar ideias, permitindo que elas atravessem eras e sejam conhecidas inclusive pelas pessoas do futuro. O valor da arte é relativo, mas posso dizer que a pior medida para avaliar o valor de uma obra ou de um artista é o dinheiro. Interesses comerciais e capitalistas podem divulgar e tornar uma obra ou autor conhecidos; um produto no qual se investe uma quantia de dinheiro para obter mais dinheiro. As vidas que um leitor pode ter ao ler uma história não têm preço. As aventuras, sensações, emoções e experiências que um leitor tem ao se aventurar em uma história não podem ser compradas ou vendidas.

Conclusão

Lembre-se de que o sucesso como escritor independente não se resume apenas às vendas e ao reconhecimento. Concentre-se em criar e compartilhar histórias que você ama, construa um público fiel e encontre satisfação na arte da escrita pelo próprio ato artístico da criação. A jornada da autopublicação pode ser desafiadora, mas também gratificante, especialmente quando você encontra sua voz única e se conecta com leitores que apreciam sua obra (e mesmo que sejam poucos, lembre-se que seu valor é incalculável).


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Éder S.P.V. Gonçalves
Osasco, SP, Brazil
É um ficcionista trevoso; escreve poema, romance e também conto. Mescla tom sério com humor ao falar sobre fantasia, mistério e terror. Mantém um blog onde posta textos por vezes sombrios e temperados com ácido humor.

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