Boa noite, Brasil

Não é difícil manifestar-se politicamente; basta assumir um lado e alardear qualquer informação que tenha à mão como quem joga facas para o alto. Escolha uma das camisas: a azul ou a vermelha, suba no ringue e desfira golpes até ver o seu oponente nocauteado e esparramado na lona. Isto é politica; fazer prevalecer um lado sobre o outro. Fazer o mais forte sobrepujar o mais fraco.
 
Fazendo isso, você não só deixa de ser um alienado, como também estará cumprindo seu dever cívico com dignidade...
 
 

Será mesmo?

 
Claro que não! Este pensamento não poderia estar mais equivocado. E quem assim se comporta está sendo irresponsável; para dizer o minimo.
 
Já que eu comecei a dar a minha opinião politica, neste momento tão tenso que o país está vivendo, vou tentar fazer uma reflexão sem ofender ninguém, deixando claro aqui o que eu considero estar em jogo no dia 28 próximo...
 
Manifestar-se politicamente é muito mais que xingar desbaratadamente aqueles que escolheram o lado oposto. É muito mais que espalhar mentiras (chamadas agora de FakeNews). Mentiras essas que ardilosamente corroem e enfraquecem a nossa — já frágil — democracia. Manifestar-se politicamente é muito mais que fazer menos do adversário, como a criança que; sendo imatura e incapaz de argumentar, em sua fúria infantil diminui o "amiguinho" para parecer ela própria, maior do que realmente é... Manifestar-se politicamente com responsabilidade não é ser narcisista; mas sim ter empatia pelos outros.
 
Talvez eu não devesse comparar uma atitude como esta à de uma criança; há crianças muito mais responsáveis que os adultos que tomam este tipo de atitude, e por um motivo simples; crianças possuem naturalmente mais empatia pelos outros. Empatia essa que a sociedade ceifa à medida em que crescemos.
 
Talvez a Humanidade não se lembre mais, pois sua memória não é das melhores; mas a política não foi criada senão para que os Humanos pudessem, JUNTOS, sobreviver às adversidades contras as quais não tinham chances estando sozinhos e desorganizados. Política tem a ver com coletividade e não com individualismo.
 
Manifestar-se politicamente é coisa séria e de difícil execução. É coisa que deveria nos fazer suar frio, pois uma atitude irresponsável de nossa parte pode ter consequências catastróficas para os outros e para nós mesmos.
 
Neste ano de 2018, o Brasil vive um momento politico muito sério e delicado. Um momento político criado pela máquina corrupta que move o nosso patético governo democrático e que deixou em crise a sua própria existência.
 
Mas a máquina corrupta não é a única causa dessa crise; também um outro culpado pode ser apontado: a manifestação política da população, feita de forma leviana e irresponsável, também é culpada por essa crise. Esse é o tipo de manifestação política que acredita em soluções simples e rápidas. E as pessoas que seguem por esse caminho acabam alardeando bandeiras frágeis com pensamentos débeis como "depois a gente vê o que faz", como se apenas o presente importasse.
 
Manifestação política? Ah não, estou sendo um pouco sarcástico. Não há nada de político neste tipo de manifestação. É um ato puramente irresponsável e sem raciocínio. É quase como reunir torcedores eufóricos em um estádio para que eles estravassem suas frustrações enquanto gritam "que este time perca e depois a gente vê o que faz no campeonato".
 
Todos sabem em que momento essa frase foi usada à exaustão: "Vamos tirar o PT do governo e depois a gente vê o que faz". Não vou sequer entrar no mérito sobre o merecimento do PT ser tirado do Governo ou não, pois como eu disse anteriormente, a máquina que comanda o governo está corrompida e por isso é um FATO que o PT é merecedor das criticas que recebeu e que recebe.
 
Mas não é este o problema (criticar um partido político e querer que este deixe o governo é algo saudável e normal em uma democracia). O problema é acreditar que o desrespeito à democracia (o PT, apesar de tudo, foi o vencedor das eleições de 2014) pode ser tolerado em prol do combate à corrupção (ou melhor, de um falso combate à corrupção, pois quando os donos do morro brigam entre si e um lado expulsa o outro do comando do tráfico de drogas, não é possível, em sã consciência, dizem que a JUSTIÇA está sendo feita). O problema é acreditar e pensar da seguinte forma: "Uma vez que essa maioria de desmiolados... Comunistas... Nordestinos... Petralhas... Elegeu novamente um partido que eu odeio, está na hora de mudar as regras do jogo". O problema é acreditar que o salvador, o justiceiro apto a combater o inimigo instalado no Governo, encontra-se nesse mesmo governo (há há algumas décadas, diga-se de passagem).
 
Acreditar em uma solução simplista como essa é muito mais perigoso que a própria corrupção em si. Pois, se não é preciso respeitar a democracia, estamos dizendo que podemos fazer o que for preciso, à qualquer custo, para obter o que desejamos. Como diria Maquiável: Os fins justificam os meios. Será mesmo?
 
Claro, a corrupção deve ser combatida, mas há o jeito certo de se fazer isso. O jeito certo é sempre o mais demorado, o mais amargo, e por vezes o mais sofrido. Porém, é o tratamento que permite ao paciente sair vivo e saudável da enfermidade.
 
O jeito errado é rápido, indolor, e às vezes parece até o jeito divertido. Mas, apesar do "aparente alívio rápido", o paciente morre de overdose instantes depois de seu breve alívio.
 
Este é o pensamento que nos permite traçar o perfil psicológico dos culpados pela atual situação do país (não estou falando dos Anti-PTistas, estou falando de todos que; independente de ideologia política, acreditaram que a solução mágica para a crise política do país resumia-se ao que eles próprios desejavam, independente do que a outra metade da população pensava a respeito: aquela metade; um pouco maior que cinquenta por cento da população, que à despeito da corrupção acreditava que o caminho para o país era manter o PT no governo). Estes pouco mais de cinquenta por cento estavam errados em sua escolha?
 
Pouco importa. Democracia é isso; ganhando ou perdendo, deve-se sair do ringue cumprimentando o adversário. Uma vez terminada a eleição, não há mais adversário. Há apenas um lado: UM PAÍS, UM POVO, UM GOVERNO.
 
Ou sabe-se agir como uma nação, ou esta estará fadada ao fracasso. Ou os remadores levam este barco chamado País na mesma direção, ou cada um rema para um lado e faz o barco afundar vergonhosamente.
 
O que foi que o Brasil fez em 2014? Tratou a sua própria democracia com leviandade...
 
Essa leviandade com que se pensa sobre politica criou uma profunda polarização na sociedade. A polarização, por sua vez, leva à uma divisão real de interesses e de valores entre as pessoas. E DIVISÃO, para quem gosta de estudar a origem das palavras, é outra forma de dizer CAOS.
 
Caos é isso: é divisão, é separação, é destruição...
 
Acreditem, Caos é fácil de ser criado, mas difícil de ser controlado.
 
É este Caos político que fez boa parte da população se esquecer o valor de um dos seus bens mais preciosos; a Liberdade.
 
Talvez eu esteja até sendo incoerente em dizer "esquecer o valor", uma vez que grande parte desta população sequer sabe que possui esta preciosidade, já nasceram em uma época abençoada com esta dádiva. Afinal, onde Água é abundante, a Sede não é vista como um Mau. E para evitar dúvidas, quero dizer com isso que parte da população sequer sabe que Liberdade possui valor.
 
O fato é, não conhecendo uma vida sem Liberdade, muitos preferem vender este bem — que agora lhes parece tão barato e insignificante — em troca de um governo menos corrupto, por um Brasil com mais emprego, por uma sociedade mais segura.
 
Isto significa que para estas pessoas a situação atual parece tão desesperadora que qualquer mudança soa-lhes como uma interrupção bem vinda em suas vidas de sofrimento.
 
Não haveria problema algum em pensar desta forma, não fosse o fato de que é justamente em situações "desesperadoras" como essa que surgem aquelas criaturas oportunistas; aqueles lobos que se fantasiam de cordeiros e fazem promessas embebidas em mel para ludibriar a razão daqueles que, incapazes de levantar a cabeça, só enxergam o fundo do poço em que se encontram.
 
Nada poderia ser mais egoísta que isso: "Não ganhamos uma eleição na democracia, então vamos trocar a democracia por uma ditadura, colocando quem nós queremos no poder..."
 
Digo mais, geralmente são os Lobos fantasiados de cordeiro; ou até mesmo de cães pastores, que se aproximam da cerca do pasto para soprar no ouvido das ovelhas que há um inimigo entre eles lá dentro, um inimigo asqueroso que precisa ser detido de qualquer forma. Esses Lobos dizem ainda mais; depois de convencer os cordeiros que eles estão correndo um terrível perigo, eles dizem que podem ajudar, que podem protegê-los, que podem cuidar deles e de sua segurança... Basta que os cordeiros abram os portões do pasto para que os Lobos possam entrar.
 
Ah, este velho truque...
 
A verdade, porém, é que talvez o poço não seja assim tão fundo, e esses pretensos salvadores não sejam assim tão bem intencionados. A verdade, é que acreditar em promessas de solução fácil seja apenas uma forma equivocada de enfiar a sua cabeça na goela do Lobo que suas próprias ideias e ideais políticos criaram.
 
Talvez, se levantarem a cabeça e olharem para os lados, estas pessoas verão que a borda do poço sequer lhes chega à cintura e que com um pouco de esforço são capazes de sair de lá, sem precisar vender a alma para alguém que admite que os brasileiros precisam ter menos direitos e trabalhar mais para que os problemas sejam solucionados.
 
Tenho certeza que o povo brasileiro já trabalha muito.
Tenho certeza de que o povo brasileiro precisa ter orgulho do seu valor.
Tenho certeza de que o povo brasileiro deve ter dignidade própria e, ao invés de vender seus direitos em troca de mais trabalho, deve sim exigir mais perspectiva em troca do suor que (desde sempre) derrama para manter uma pequena classe de privilegiados poderosos...
 
...Poderosos que, em sua soberba e gana sem limites, colocaram deliberadamente em risco uma democracia que, caso acabe, prejudicará não a eles próprios; poderosos que são, mas unica e exclusivamente ao cidadão comum.
 
Para concluir, sem meias palavras, o candidato à presidência, Jair Bolsonaro, é o Lobo vestido de cordeiro. Ele representa a crueldade, a injustiça, a intolerância e a opressão (Você não sabe o porquê? Basta pesquisar na internet — em sites confiáveis, como grandes portais jornalísticos, para evitar as informações falsas. E de preferência, assista aos vídeos do próprio candidato, em que ele opina sinceramente sobre os mais diversos assuntos: este é o material documental mais confiável a respeito dele. Não é preciso, por tanto, confiar no que digo, basta ver com seus próprios olhos).
 
Ele, Jair Bolsonaro, é o resultado da máquina corrupta; tantos anos de roubalheira, conluio com grandes empresários e criminosos, e de negligência com a educação, com a saúde, e principalmente com a segurança pública, deram a ele a oportunidade de se apresentar como o grande salvador da pátria.
 
Este candidato também é resultado do "depois a gente vê o que faz". O vazio político deixado pela crise na democracia brasileira cegou o povo (que deixou de olhar para outros candidatos, muito menos nocivos ao país, apenas por acharem que estes candidatos não tinham real chance de vencer o PT).
 
Jair Bolsonaro é o Caos anunciado, pois o Brasil ainda não vive de fato um verdadeiro Caos. Se você acha que estou errado (porquê a sua vida está sendo — segundo a sua própria perspectiva pessoal — um verdadeiro inferno nesta gestão PTista), vou fazer minhas as palavras do escritor Tolkien:
 
"Não jure que caminhará no escuro, aquele que não viu o cair da noite"
 
Também digo que é melhor não jurar estar no inferno, aquele que ainda não viveu a danação...
 
Eu não vivi a ditadura militar e não posso dizer nada sobre ela com base em experiências pessoais. Mas isto não significa que eu esteja errado ao dizer que a ditadura militar foi ruim para o Brasil, que o Nazismo foi ruim para a Humanidade, e que a Lei e a Ordem não podem ser mantidas à custa de vidas inocentes (Bolsonaro disse isso, que inocentes podem morrer no processo, mas é um preço pequeno a se pagar para se manter a Ordem, e você não precisa pesquisar muito para encontrar a entrevista em que ele diz isso).
 
Acredito que a democracia brasileira precisa de renovação. O Povo precisa eleger candidatos que sejam novos na política e/ou que tragam novas ideias (conheço muitas pessoas que, neste sentido, votaram no candidato Amoêdo). Tivemos essa chance no primeiro turno — a maioria dos candidatos, falemos a verdade, não eram tão novos assim, mas alguns deles representam caminhos novos a se experimentar para o Brasil (Eu mesmo votei na candidata Marina Silva, da Rede, pois sempre estive alinhado com sua visão à cerca de um desenvolvimento Sustentável). Outros candidatos representam a velha política (Alckimin, por exemplo).
 
Mas agora, no segundo turno, temos apenas duas raposas velhas na política. Mas, estas duas raposas velhas representam caminhos muito, mas muito diferentes:
 
Haddad representa a Democracia Brasileira (democracia que ainda está amadurecendo) e também a política tal como já conhecemos.
Bolsonaro representa um grande Não à Democracia, e um grande SIM à Intolerância e à Truculência. Representa "o trabalhador precisa perder direitas para ganhar mais emprego", entre outras insanidades.
 
Tendo apenas estes dois caminhos a escolher, eu votarei, com toda certeza, em Haddad, do PT (eu votaria até mesmo no Alckmin, por quem tenho tanta aversão quanto os anti-Petistas tem do Lula). Pois, uma democracia falha, ainda é melhor que matar "alguns" inocentes para... Para o que mesmo? Ah sim, para ter a ordem novamente... Mas que ordem? A ordem que a ditadura militar mantinha no país? Aquela ordem que arruinou a economia a tal ponto que os próprios militares decidirem largar o osso? A ordem que concentrou renda, aumentou a miséria e fez a educação retroceder várias décadas?
 
Ainda sobre a ditadura brasileira, gostaria de deixar claro que algumas pessoas me disseram em conversas, coisas do tipo: "Minha avó me disse que na ditadura ela nunca passou miséria" e "Você não viveu a ditadura para poder falar dela, saiba que naquela época a coisa não era bagunçada e não tinha violência" e "A educação era muito boa" e etc.
 
O que eu respondi para essas pessoas (todas da região Sudeste) foi o seguinte: Tem muita gente no Nordeste que diz a mesma coisa sobre a gestão Lula. E aí é que temos a verdade sobre as urnas; todo mundo vota pensando em si mesmo. O que é normal. O que precisamos é fazer a coisa funcionar depois da urna e há meios para isso (que não ameaçam a democracia).
 
Sem meias palavras, vou recomendar dois textos, para o caso de o candidato Bolsonaro — ele próprio, que já declarou ser contra a democracia — sair vitorioso no segundo turno da eleição para presidente.
 
Um dos textos em questão é do filme V de Vingança e o outro é da Graphic Novel homônima. Recomendo também — nesta época política mais que nunca — que assistam ao filme e leiam à Graphic Novel (que serviu de inspiração para o filme).
 
O mais importante, sobre esta minha reflexão política, é que mesmo que você pense diferente de mim, eu tolero isso. E mesmo que eu não tolerasse, eu não poderia impedi-lo de pensar diferente. Tanto eu como você temos a liberdade de pensar como desejarmos. A democracia nos permite isso: a Liberdade de expressar o que pensamos e de explicar o porquê pensamos. A Democracia permite que os diferentes convivam.
 
Espero que o Brasil continue democrático. Espero que o Brasil, caso mude, que o seja para um regime melhor (como uma monarquia parlamentarista, ou coisa que o valha).
 
Só não espero que o Brasil torne-se um regime autoritário, um regime fascista, um regime que prega a morte da Liberdade, um regime que prega a morte do diferente — e geralmente essa pregação é feita em nome de Deus.
 
Se o Brasil seguir por este caminho, apenas ao custo de muita luta e sangue derramado será possível reaver a Liberdade.
 
Mas a Liberdade é uma causa nobre, em prol da qual o uso da Violência faz sentido.
 
Neste caso, ainda fazendo uso da obra de Alan Moore, eu digo "Violência pode ter bom uso", e a reconquista da Liberdade é um destes bons usos. Espero que ninguém precise chegar a isso novamente.
 
Boa noite, Brasil.


MAS QUEM OS ELEGEU 2

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Éder S.P.V. Gonçalves
Oz, São Paulo, Brazil
Em uma cabana na montanha vive um monstro. A criatura selvagem é um ficcionista perigoso; escreve poema, romance e também conto. Em tom sério (e às vezes também com humor) fala sobre fantasia, mistério e terror. Mil hobbys ele tem; até desenvolvedor de jogos, podcaster e programador. De vez em quando se veste de humano e anda por cidades cinzentas só para saber como é viver em um cenário de horror. Este é um perigoso Ideário, pois é o caderno de anotações de um monstro polimático.