Boa noite, Londres. — Trecho do Filme V de Vingança

Abaixo faço a transcrição de uma cena do filme V de Vingança. Meu objetivo com essa transcrição é demonstrar a minha posição politica em diversos aspectos — por exemplo, demonstrando que tipo de regime politico não desejo para o Brasil.
 

 


 

Boa noite, Londres.

 
Permitam que eu peça desculpas pela interrupção. Eu, como muitos de vocês, aprecio o conforto da rotina diária, a segurança familiar, a tranquilidade da repetição. Gosto delas como qualquer outro. Mas, no espírito da comemoração — onde importantes eventos do passado, geralmente associados a morte de alguém ou ao final de uma guerra sangrenta, são comemorados como um belo feriado —, eu pensei em marcar este cinco de novembro. Um dia que infelizmente não é mais lembrado, tomando um pouco do tempo de suas vidas diárias para sentar e conversar. Existem, é claro, aqueles que não querem que falemos. Suspeito que ordens estejam sendo gritadas, e homens com armas já se ponham a caminho.
Por que? Porquê enquanto a violência for usada no lugar do diálogo, palavras sempre terão seu poder. Palavras oferecem um meio para o significado e para aqueles que escutam a enunciação da verdade. E a verdade é que existe uma situação totalmente errada neste país, não existe?
Crueldade e injustiça, intolerância e opressão. Onde um dia houve o direito de discordar, de pensar e falar como se desejasse, agora temos censores e sistemas de vigilância forçando-nos a nos conformar e solicitando a nossa lealdade.
De quem é a culpa?
Com certeza existem aqueles que são mais responsáveis do que outros. E eles vão ter que prestar conta.
Mas verdade seja dita, se procuram os culpados, só precisam se olhar no espelho.
Eu sei porquê fizeram. Eu sei que têm medo. Quem não teria? Guerra, terror, doenças. Havia uma miríade de problemas que conspiraram para corromper a razão de vocês e tirar de vocês o bom senso. Medo guiou suas ações, e em seu pânico vocês confiaram no alto chanceler Adam Sutler.
Ele lhes prometeu ordem, ele lhes prometeu paz e tudo o que ele exigiu em troca foi consentimento silencioso e obediente.
Ontem à noite eu tentei romper este silêncio. Ontem à noite eu destruí o Old Bailey, para fazer este país lembrar de tudo o que ele se esqueceu. Há mais de quatrocentos anos um grande cidadão desejou marcar o cinco de novembro em nossas memórias. Ele quis lembrar ao mundo que igualdade, justiça e liberdade são mais do que palavras, são perspectivas.
Se vocês não veem nada, se os crimes deste governo ainda lhes são desconhecidos, eu sugiro que deixem o cinco de novembro passar em branco.
Mas se vocês veem o que eu vejo, se sentem o que eu sinto e se buscam o que eu busco, então peço que fiquem junto a mim daqui daqui a um ano do lado de fora do parlamento, e juntos daremos a eles um cinco de novembro que nunca se esquecerão.
 

 
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Para quem desejar assistir à cena em especifico, deixo o link para o vídeo no Youtube.

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Éder S.P.V. Gonçalves
Oz, São Paulo, Brazil
Em uma cabana na montanha vive um monstro. A criatura selvagem é um ficcionista perigoso; escreve poema, romance e também conto. Em tom sério (e às vezes também com humor) fala sobre fantasia, mistério e terror. Mil hobbys ele tem; até desenvolvedor de jogos, podcaster e programador. De vez em quando se veste de humano e anda por cidades cinzentas só para saber como é viver em um cenário de horror. Este é um perigoso Ideário, pois é o caderno de anotações de um monstro polimático.