Sim ao Porte de Conhecimento


Em todos os países em que a independência substitui a liberdade, a primeira necessidade sentida por todo coração forte, por toda organização poderosa, é a de uma arma que possibilite tanto o ataque quanto a defesa, e que, fazendo perigoso aquele que a empunha, muitas vezes o faça temido.
— Alexandre Dumas
Alexandre Dumas e suas frases fortes e brilhantes; entretém e magnetiza. Também convida à reflexão, quando nos permitimos mergulhar entre os fios bem tecidos de suas histórias.
 
Esta frase, por acaso, suscita um tema debatido neste ano de 2018; ano de transição política e consequentemente de debate interno: o tema ao qual me refiro é o do direito do cidadão de portar uma arma que lhe permita se Defender... E permita também Atacar... E que, por consequência o faça Temido.
 
Pela relevância do tema, achei importante parar e refletir sobre o assunto... (farei isso, não do ponto de vista político, mas do ideológico)
 
Quero viver em um país em que eu seja Livre ou em um país em que eu seja Independente?
 
Dumas tem razão: o desejo pela posse de uma arma não é reflexo de uma sociedade que busca Liberdade, mas Independência. Por isso, não penso estar errado ao afirmar que a Arma não Liberta seu portador; o torna Independente — o que é bem diferente.
 
A Liberdade pressupõe a maior vitória: aquela que reina sobre os corações e as mentes e que conta com um poder especial; o das ideias e dos ideais. A Liberdade torna vitorioso até mesmo o Escravo Acorrentado.
 
A Independência, por sua vez, é uma vitória doente, aleijada, deficiente; pois é uma vitória que pressupõe consequências controversas. Torno-me Independente (sou responsável por prover minha própria Defesa), mas não Livre (tenho uma arma, mas o que ela muda em mim e no mundo que me cerca?).
 
Controvérsia: dependo de uma força que não é minha para fazer valer minha independência. Sendo assim, sou escravo dessa arma; e não livre com ela.
 
Pergunto-me; parece bobagem esse meu raciocínio?
 
Respondo-me; os mongóis tiveram armas por muito tempo e, mesmo assim, nunca foram libertos por elas. Armas não libertam. Pensar o oposto é que me parece bobagem. Foram as idéias de Temujin (Genghis Khan) que trouxeram a Liberdade aos Mongóis; digo até mais, apenas quando as idéias de Temujin tornaram-se também as idéias do povo é que os Mongóis se viram de fato livres.
 
Busco ainda outros exemplos: Nos EUA, os lugares em que já é tradição a liberação o porte de arma sempre enfrentam episódios extremos de violência. As armas não livraram os cidadãos dessa violência. O país da Liberdade é Independente, mas não está Livre, uma vez que as pessoas vivem presas ao medo de um eminente ataque.
 
Todo Coração Forte sente a necessidade de prover a própria Defesa, de ser Temido por seu Ataque. É certo que sim. Não posso negar a veracidade dessa afirmação. Mas também posso dizer que é verdadeira a seguinte afirmação: Todo Coração Confuso sente a necessidade de se sentir mais forte e, com isso, mascarar o seu medo.
 
A promessa da legalização do porte de armas é, antes de tudo, um alivio psicológico para quem sofre com a violência. Mas não uma solução.
 
É preciso lembrar em um momento político como esse que a maior Arma é, e sempre será, o Conhecimento.
 
Sem o Conhecimento, nem mesmo milhões de espadas, pistolas, fuzis e tanques de guerra me farão Livre. A Liberdade é uma ideia que só posso conquistar com meu próprio Poder, e não com um Poder Emprestado — por conseguinte um Poder Impostor, Parasitário, que Escraviza prometendo Soluções Fáceis e Superficiais.
 
Lembremos ainda de outro exemplo do Oriente; falo de Sun Tzu, o qual já dizia em seu tratado "A Arte da Guerra":
 
"A maior vitória é vencer sem lutar"
 
E para isso seu primeiro conselho é:
 
"Conheça a si mesmo e Conheça o Inimigo"
 
Em minha reflexão concluo que Conhecimento continua sendo a Arma definitiva. Armas comuns apenas promovem o enfrentamento. Mas só o Conhecimento desarma, só o Conhecimento derrota a Violência e a Subjuga, só o Conhecimento Liberta.
 
Por isso faço um apelo: diga Sim à posse de Conhecimento.

 
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Éder S.P.V. Gonçalves
Oz, São Paulo, Brazil
Em uma cabana na montanha vive um monstro. A criatura selvagem é um ficcionista perigoso; escreve poema, romance e também conto. Em tom sério (e às vezes também com humor) fala sobre fantasia, mistério e terror. Mil hobbys ele tem; até desenvolvedor de jogos, podcaster e programador. De vez em quando se veste de humano e anda por cidades cinzentas só para saber como é viver em um cenário de horror. Este é um perigoso Ideário, pois é o caderno de anotações de um monstro polimático.