A Casa do Dragão: Por que a série supera GOT e o destino de Rhaenyra
A Dança dos Dragões: Sangue, Destino e a Queda da Casa do Dragão
Vou falar nesse post sobre as duas temporadas de A Casa do Dragão. Eu adorei a série. Apesar das críticas de George R.R. Martin sobre as mudanças realizadas pelos roteiristas — que, sejamos francos, impactam profundamente no desenrolar das próximas temporadas em relação aos livros — acho que, até o momento, a série ganha de As Crônicas de Gelo e Fogo em vários aspectos narrativos. Não vou me aprofundar nesses detalhes técnicos agora; ao invés disso, vou falar explicitamente das coisas que eu mais gostei nessa jornada épica.
Personagens Cativantes: O Coração da Trama
Apesar de eu gostar muito de Game of Thrones, sentia que não havia muitos personagens de que eu gostasse a ponto de realmente me importar, tanto na série como nos livros. Em GoT, os personagens parecem espalhados por um horizonte sombrio e entrecortado, o que às vezes quebra o impacto das suas trajetórias. A Casa do Dragão, por outro lado, pulsa com figuras formidáveis.
Rhaenyra e Daemon Targaryen são protagonistas magníficos; sempre que estão em cena, o ar parece vibrar com a voltagem da antiga Valíria. Mas não são só eles. Aprendi a admirar profundamente a "Rainha que Nunca Foi", Rhaenys, e seu marido Corlys Velaryon, a "Serpente Marinha". Eles funcionam como âncoras de sabedoria e pragmatismo em um conselho marcado pelo radicalismo. Também gosto muito dos novos rostos que surgem, como os montadores de dragão bastardos, que trazem uma nova camada de complexidade à linhagem real. E, claro, temos os Dragões — eles não são apenas animais, são extensões do poder e da alma de seus montadores, afetando diretamente as dinâmicas políticas e o poder de combate.
O Tabuleiro do Antagonismo Compartilhado
O antagonismo em A Casa do Dragão é fascinante porque é protagonizado de forma compartilhada. Não temos um único vilão absoluto como Tywin Lannister (que amamos odiar). Otto Hightower é o típico vilão estrategista, mas ele não chega aos pés de Tywin; Otto parece mais uma peça à mercê das ondas do poder do que o protagonista soberano que gosta de ser. Larys Strong tenta ser uma versão de Varys, mas carece do carisma e da profundidade ideológica do mestre dos sussurros original.
A vilania aqui evolui como um manto sombrio que passa de mão em mão:
Começamos com a conspiração de Otto, inserindo sua filha Alicent como uma peça no tabuleiro.
Depois, vemos Alicent assumindo como rainha regente quando o rei Viserys está velho e doente demais para governar, movida pelo ressentimento e pelo medo.
Com a morte de Viserys, Alicent e Otto colocam Aegon II no trono, mas logo ele afasta o próprio avô.
Quando Aegon cai ferido em batalha, seu irmão Aemond assume como príncipe regente. Montado na colossal Vhagar, a maior criatura viva, Aemond torna-se o principal antagonista, buscando a dominância absoluta através do terror.
A segunda temporada termina com Rhaenyra na vantagem: Daemon reuniu um exército e renovou seus votos após uma visão do futuro, e a chegada dos novos montadores bastardos adicionou três novos dragões ao seu poderio. Agora, Vhagar já não é uma certeza de vitória para os Verdes.
Profecias Reveladas: O Cântico de Gelo e Fogo
Um dos pontos mais altos da série é a integração das profecias. Descobrimos que a conquista de Aegon I não foi apenas ambição, mas baseada em um sonho que ele chamou de "O Cântico de Gelo e Fogo". Ele previu um inverno terrível vindo do norte que destruiria o mundo dos homens, e que apenas um Targaryen forte no trono poderia unir o reino para sobreviver.
Helaena Targaryen também se revelou uma "Sonhadora" fascinante. Suas frases enigmáticas, que a família ignora como excentricidades, escondem o destino de todos:
Linha Sucessória do Trono de Ferro
Para entender quem tem o direito de fato, é preciso olhar para trás. Mas deixarei a linha sucessória futura de fora para não dar mais spoilers do que o necessário sobre quem finalmente se sentará no trono após a guerra.
A linhagem de Rhaenyra hoje conta com seus filhos com Laenor Velaryon (Jacaerys, Lucerys e Joffrey) e seus filhos com Daemon (Aegon, o Jovem, e Viserys).
Catálogo de Dragões: As Armas da Dança
Aqui estão as feras que definem o destino de Westeros:
Guia Político: As Casas e suas Lealdades
Westeros está rachada ao meio. Aqui estão os líderes que escolheram seus lados:
Os Pretos (Apoiadores de Rhaenyra)
Os Verdes (Apoiadores de Aegon II)
O Destino Sombrio: O Spoiler de Stannis
No entanto, é difícil acompanhar essa história de forma tranquila sabendo o que o futuro reserva à Rhaenyra. No livro A Tormenta de Espadas, há uma passagem em que Stannis Baratheon fala para Sor Davos sobre o destino de Rhaenyra, e as palavras são cortantes:
“
— De que mais chamaria renegar o rei e tentar roubar o trono que é dele por direito? Volto a perguntar: qual é a pena por traição, segundo a lei?
Davos não tinha alternativa exceto responder.— A morte - disse. - A pena é a morte, Vossa Graça.
— Sempre foi assim. Eu não sou... um homem cruel, Sor Davos. Conhece-me. Conhece-me há muito tempo. Este decreto não é meu. Sempre foi assim, desde os tempos de Aegon, e mesmo antes. Daemon Blackfyre, os irmãos Toyne, o Rei Abutre, o Grande Meistre Hareth... traidores sempre pagaram com a vida... até Rhaenyra Targaryen. Era filha de um rei e mãe de mais dois, e no entanto teve uma morte de traidora por tentar usurpar a coroa do irmão. E a lei. Lei, Davos. Não crueldade.
“
Parece que Rhaenyra perde a batalha contra o irmão, mas a ironia é que dois de seus filhos serão reis. A série pode seguir além da morte dela, e duvido que termine com Aegon como vencedor moral. A menos que a HBO resolva reescrever esse destino, o que daria a Martin ainda mais motivos para reclamar.
A propósito, parece que a HBO confirmou que terceira temporada de House of Dragon vai estrear em junho desse ano.
Nos resta esperar para ver onde isso vai terminar.
Se você, assim como eu, prefere a crueza das páginas ao brilho das telas e quer entender cada engrenagem desse desastre dinástico sem os filtros da adaptação, a fonte original é o seu destino. Em Fogo & Sangue, George R.R. Martin nos entrega o relato visceral dos meistres sobre a ascensão e queda dos senhores de dragões, com detalhes que a HBO ainda não teve coragem de mostrar. Se quiser mergulhar nessa genealogia maldita e, de quebra, apoiar este blog sombrio, garanta sua cópia através desse link: Fogo & Sangue. Afinal, nada como o cheiro de papel e sangue para acompanhar uma boa leitura.
---



Comentários
Postar um comentário