Crônicas de um Autor Independente: um escritor dando um mal exemplo
Clichês, Metal e a Arte de Magnetizar o Leitor
05 de maio de 2018 — A semana foi produtiva, intensa e regada ao som de muito Metal.
O Mantra do Escritor: "Não me interrompa!"
"Não fale comigo! Não mexa comigo! Cuide da sua vida! Eu estou Escrevendo!"
Para ser sincero, a vontade de escrever hoje era mínima. O cansaço e o sono acumulado pesam como uma armadura de placas. Mas não importa. Vou fazer o que tenho que fazer. Ponto. Manter a regularidade é a única forma de vencer o vazio da página branca.
Graças ao feriado do Dia do Trabalhador, consegui um avanço formidável na revisão do Volume 2 de Rumores: saltei do capítulo 10 direto para o 13.
A Síndrome do "Eu posso escrever um pouco mais"
Durante a revisão do capítulo 11, esbarrei em uma força perigosa: o impulso de adicionar texto onde ele não é necessário. Na revisão, nosso trabalho é calibrar, lubrificar e balancear. Às vezes, o "mais" é inimigo do "bom". É uma luta constante contra a prolixidade para manter o ritmo da narrativa. Criadores entenderão o que digo.
Magnetismo e Clichês: A Lição de Alexandre Dumas
“Em literatura, não admito sistema, não sigo escola, não desfraldo bandeiras: entreter e magnetizar, estas são minhas únicas regras.”
Sigo a máxima de Alexandre Dumas como um dogma. Meu objetivo com este segundo volume é permitir que o leitor sinta o fantástico e o corriqueiro se fundirem de maneira original, longe dos clichês enfadonhos que abarrotam as prateleiras de ficção.
Mas entenda bem: eu não tenho nada contra clichês. O problema é o clichê mal usado, aquele que se torna evidente demais.
A Regra de Ouro: Se você, enquanto escreve, identifica o clichê e lembra de outras obras onde ele aparece, seu texto ainda não está bom o bastante. Destrua, misture ideias, mude o que for preciso. O clichê deve ser o alicerce invisível, não a fachada da casa.
A Jornada do Herói: Alicerce ou Prisão?
Muitos seguem a "Jornada do Herói" como uma receita de bolo. Eu, particularmente, prefiro evitar estruturas rígidas. Sinto que isso limita minha cabeça estranha a criar algo medíocre ou parecido com outros milhares de trabalhos.
No entanto, existem obras que usam esse método de forma brilhante, como Avatar: A Lenda de Aang. O roteiro é construído sobre a Jornada do Herói, mas o universo é tão rico e os personagens tão críveis que você sequer percebe o "clichezão" da luta entre o bem e o mal. Isso é maestria.
O Aprendizado com os Mestres
Nesta jornada de revisão, encontrei novos mentores:
Joseph Delaney (As Aventuras do Caça-Feitiço): Ele prende o leitor usando medos simples e universais. Ele não tem pressa em explicar; ele deixa você saborear o universo aos poucos.
Rudyard Kipling (Histórias Sobrenaturais): Um mestre do conto que vai direto ao ponto. Sem rodeios, ele entrega o que é necessário e finaliza sem maiores floreios.
Xerazadi (As Mil e Uma Noites): A inventora do cliffhanger. Ela nos leva de um acontecimento insólito ao outro em uma velocidade absurda. Dumas foi aluno dela, e eu pretendo ser também.
Considerações Finais (e Madrugadoras)
Já passa de 01:30 da manhã. O Metal ainda corre nas veias, mas é hora de descansar e preparar o espírito para mais uma semana de trabalho. Como diria o mestre Yoda: "Não faça ou faça. Tentar não há!"
Não levem a sério qualquer "cagação de regra" sobre criação — inclusive a minha. No fim das contas, você aprenderá tentando, errando e tentando novamente.
Até a próxima, viajante.

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