O Cavaleiro dos Sete Reinos: Espada, Feitiçaria ou apenas Sujeira e Aço?

 

Um jovem e alto cavaleiro, forte e com vestes surradas (Dunk, um jovem musculoso e esguio com uma aparência escandinava de 18 ou 19 anos), segurando um escudo velho cujo emblema é uma árvore (um olmo) sob um céu noturno com uma estrela cadente prateada visivel. Ele está de pé diante de uma fogueira fraca em um campo de torneio com bandeiras das casas de Westeros espalhadas pelo lugar (da casa Targaryan, Baratheon, Stark, Lanister, Fossoway, etc), ao lado do seu cavalo de guerra negro (Trovão) e com seu fiel escudeiro (um jovem menino de 9 anos com cabelo raspado e com olhos de cor violeta) ao seu lado. O cavaleiro (Dunk) tem uma expressão feroz, e seu escudeiro de um ar inteligente e altivo. A luz do fogo projeta sombras pesadas no chão atrás dele. Estilo: o realismo de Bóris Vallejo com a atmosfera pesada e melancólica de Frank Frazetta. Pintura surrealista onírica gótico punk. Paleta de marrons, cinzas e um laranja opaco.

O Cavaleiro dos Sete Reinos: Quando as Categorias Falham e o Aço Fala Mais Alto

Assisti ao terceiro episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos ("O Escudeiro") e terminei com uma pulga atrás da orelha que não tem nada a ver com a trama em si, mas com a forma como tentamos organizar as histórias em caixas.

Afinal, que tipo de história estamos lendo (ou vendo) aqui?

Bom, para dizer a verdade, eu já assisti ao episódio 4, mas estou um pouco atrasado no meu cronograma aqui no Blog (sim, eu tento manter um "cronograma" mais ou menos incerto sobre a frequência das minhas postagens, mas nem sempre consigo cumprir com os prazos da forma que eu gostaria).

Sendo assim, vou falar sobre o que vi até o episódio 3 e das minhas reflexões até este ponto e, em breve retorno com mais sobre os novos episódios.

O Dilema do Gênero: Fantasia ou Apenas História Alternativa com elementos de Realismo Mágico?

Muitos chamariam Westeros de Fantasia Épica, mas Dunk e Egg passam longe da pompa dos reis e dos exércitos colossais. É fascinante como as categorias e gêneros falham ao tentar organizar toda e qualquer obra. Para quem está acostumado com os dragões monumentais de House of the Dragon, este episódio 3 parece quase um drama histórico rústico.

Por enquanto, não sei bem como classificar essa história. Talvez, quando eu conhecer a obra inteira, eu mude de ideia, mas por hora vou encará-la como Espada e Feitiçaria. Há sinais evidentes de poderes proféticos, mas eles não vêm de magos em torres; vêm de vozes misteriosas no meio da sujeira de um torneio.

O Problema das Profecias (e a exceção de Martin)

Quem me acompanha sabe que, em geral, profecias não me atraem muito em uma história. Tenho um problema pessoal com o conceito de "destino" pré-determinado — ele tira o peso das escolhas dos personagens.

No entanto, abro exceções e ressalvas para George R.R. Martin. Ele as usa de forma magistral: as profecias em Westeros funcionam mais como elementos psicológicos. São verdades (ou mentiras) nas quais as pessoas acreditam ou não, tornando-se parte da história como um simples obstáculo ou motivação com a qual os personagens terão de lidar.

No episódio 3, quando a mulher faz aquela previsão sombria sobre Dunk e a sombra do dragão, não sentimos que o roteiro está escrito nas estrelas, mas sim que uma peça de xadrez política e mística acabou de ser movida.

Targaryen: Os Invasores Degenerados

A magia pode ser sutil, mas a política é brutalmente clara. O diálogo do escudeiro Raymun Fossoway com Dunk é o ponto alto do episódio para mim. Ali, a máscara dos Targaryen cai.

Sem dragões para intimidar, eles são vistos pelo que realmente parecem ser para muitos em Westeros: invasores tiranos, estrangeiros de costumes degenerados (o incesto sendo o ponto central) que impõem sua vontade. É o "sistema de erro" da dinastia exposto. Essa visão crua do poder é o que torna o mundo de Martin tão próximo do horror urbano e social que eu exploro nos meus contos do Arquivo Nix.

Conclusão de Momento

O episódio 3 de O Cavaleiro dos Sete Reinos nos lembra que o melhor da fantasia não está no feitiço lançado, mas na reação humana diante do inexplicável e do opressor. Seja Espada e Feitiçaria ou um drama de cavalaria sujo, a jornada de Dunk e Egg é sobre navegar em um mundo onde a honra é tão rara quanto um ovo de dragão chocado.

Vou continuar observando essas sombras. E você? Encara Westeros como Fantasia ou como um espelho sujo da nossa própria história?

Continue a leitura no Grimório:


Éder S.P.V. Gonçalves Escritor de Fantasia Sombria e  arquivista deste Grimório de Arcanismos Sombrios.


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