O Cavaleiro dos Sete Reinos: Espada, Feitiçaria ou apenas Sujeira e Aço?
O Cavaleiro dos Sete Reinos: Quando as Categorias Falham e o Aço Fala Mais Alto
Assisti ao terceiro episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos ("O Escudeiro") e terminei com uma pulga atrás da orelha que não tem nada a ver com a trama em si, mas com a forma como tentamos organizar as histórias em caixas.
Afinal, que tipo de história estamos lendo (ou vendo) aqui?
Bom, para dizer a verdade, eu já assisti ao episódio 4, mas estou um pouco atrasado no meu cronograma aqui no Blog (sim, eu tento manter um "cronograma" mais ou menos incerto sobre a frequência das minhas postagens, mas nem sempre consigo cumprir com os prazos da forma que eu gostaria).
Sendo assim, vou falar sobre o que vi até o episódio 3 e das minhas reflexões até este ponto e, em breve retorno com mais sobre os novos episódios.
O Dilema do Gênero: Fantasia ou Apenas História Alternativa com elementos de Realismo Mágico?
Muitos chamariam Westeros de Fantasia Épica, mas Dunk e Egg passam longe da pompa dos reis e dos exércitos colossais. É fascinante como as categorias e gêneros falham ao tentar organizar toda e qualquer obra. Para quem está acostumado com os dragões monumentais de House of the Dragon, este episódio 3 parece quase um drama histórico rústico.
Por enquanto, não sei bem como classificar essa história. Talvez, quando eu conhecer a obra inteira, eu mude de ideia, mas por hora vou encará-la como Espada e Feitiçaria. Há sinais evidentes de poderes proféticos, mas eles não vêm de magos em torres; vêm de vozes misteriosas no meio da sujeira de um torneio.
O Problema das Profecias (e a exceção de Martin)
Quem me acompanha sabe que, em geral, profecias não me atraem muito em uma história. Tenho um problema pessoal com o conceito de "destino" pré-determinado — ele tira o peso das escolhas dos personagens.
No entanto, abro exceções e ressalvas para George R.R. Martin. Ele as usa de forma magistral: as profecias em Westeros funcionam mais como elementos psicológicos. São verdades (ou mentiras) nas quais as pessoas acreditam ou não, tornando-se parte da história como um simples obstáculo ou motivação com a qual os personagens terão de lidar.
No episódio 3, quando a mulher faz aquela previsão sombria sobre Dunk e a sombra do dragão, não sentimos que o roteiro está escrito nas estrelas, mas sim que uma peça de xadrez política e mística acabou de ser movida.
Targaryen: Os Invasores Degenerados
A magia pode ser sutil, mas a política é brutalmente clara. O diálogo do escudeiro Raymun Fossoway com Dunk é o ponto alto do episódio para mim. Ali, a máscara dos Targaryen cai.
Sem dragões para intimidar, eles são vistos pelo que realmente parecem ser para muitos em Westeros: invasores tiranos, estrangeiros de costumes degenerados (o incesto sendo o ponto central) que impõem sua vontade. É o "sistema de erro" da dinastia exposto. Essa visão crua do poder é o que torna o mundo de Martin tão próximo do horror urbano e social que eu exploro nos meus contos do Arquivo Nix.
Conclusão de Momento
O episódio 3 de O Cavaleiro dos Sete Reinos nos lembra que o melhor da fantasia não está no feitiço lançado, mas na reação humana diante do inexplicável e do opressor. Seja Espada e Feitiçaria ou um drama de cavalaria sujo, a jornada de Dunk e Egg é sobre navegar em um mundo onde a honra é tão rara quanto um ovo de dragão chocado.
Vou continuar observando essas sombras. E você? Encara Westeros como Fantasia ou como um espelho sujo da nossa própria história?
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Éder S.P.V. Gonçalves Escritor de Fantasia Sombria e arquivista deste Grimório de Arcanismos Sombrios.

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