As Harpias das Colinas Brancas: caçadoras implacáveis

um híbrido de uma deusa grega com uma fúria mitológica, fada selvagem e tenebrosa e feroz com cabelos escuros ondulados e rebeldes, asas escuras, mãos e pés escamosos de ave, garras afiadas, semblante misterioso e belo, dentes afiados, usando os acessórios de uma xamã selvagem, trajando uma túnica negra esfarrapada, colar de dentes, tatuagens tribais, deusa do caos, olhar cruel. floresta com árvores altas na colina, noite, bando de fúrias carniceiras. arte fantástica com toques de terror e cores vibrantes, olhos iridescentes, estilo de arte que combine com o gênero espada e feitiçaria

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Saudações. Como eu tenho mencionado ocasionalmente, entre um post e outro, eu tenho me organizado nestes primeiros meses do ano para retomar a minha escrita. Um dos projetos secundários e essênciais do trabalho de um escritor de fantasia é registrar e organizar suas criações e ideias. Há muitos anos, eu tenho planejado escrever uma espécie de enciclopédia do planeta Bars (onde boa parte da saga fantástica se passa), onde registrarei o nome e as características das criaturas que habitam este mundo, bem como detalhes sobre os povos que habitam o lugar, um breve relato de sua história politica e organização social, entre outras coisas importantes para o cenário em questão. Eu diria que este trabalho bem que poderia se tornar uma espécie de livro do cenário de um sistema de RPG (quem sabe eu não leve a coisa para esse lado um dia...).

A verdade, porém, é que ao longo dos anos essa enciclopédia não teve lá grandes atualizações, pois eu tenho deixado boa parte das informações na minha cabeça. Mas, esta era acabou... Uma das funções que eu atribuía à criação desse Blog era me auxiliar como uma espécie de esboço dos meus escritos e com esses esboços acelerar o registro documental das ideias que tiver ao longo do tempo.

Então começo hoje a registrar esse "esboço" da enciclopédia de Bars, uma coleção de relatos diversos, cada qual tratando de tópicos que podem ser agrupados em categorias, como fauna, astronomia, botânica, alquimia, política, etc. Futuramente eu pretendo revisar esse material e publicar a enciclopédia em si, mas antes, preciso começar a desenterrar os livros propriamente ditos das brumas do outro mundo e dar-lhes corpo neste universo.

Até lá, fiquem com este primeiro tópico, acerca da Fauna de Bars: As Harpias das Colinas Brancas. Um relato escrito por uma caçadora do Estado de Urdo no Império de Hudan, em uma época não especificada.

Na saga “O Governador das Masmorras”, conhecemos uma Harpia chamada “Vó-Mais-Velha”. Apesar do nome, sua aparência não se assemelhava a uma humana envelhecida. Pelo contrário, ela era pálida, com longos cabelos negros e tatuagens nos braços. Sua idade aparente, comparada aos humanos, era de quatro décadas, mas saibam que ela tem pelo menos alguns séculos de vida.

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Enciclopédia de Bars: Fauna

As Harpias das Colinas Brancas

Há muito tempo, quando eu ainda era uma jovem caçadora e aventureira audaciosa, eu estava fascinada com as lendas que ouvia em minhas expedições, guiada pela gente das tribos que habitavam as florestas ao norte da Província de San Napolean. Uma lenda em particular chamou a minha atenção; uma que falava sobre criaturas sobrenaturais que possuíam um canto hipnótico capaz de paralisar e levar ao sono profundo as suas vítimas, às quais devoravam ainda vivas.

Na época eu estava caçando nos arredores das vilas e cidadelas às margens da região das Colinas Brancas e durante um acampamento noturno em meio à mata, quando fui muito longe em busca de melhores presas, ouvi uma cantoria estranha ao longe, que me deixou desnorteada e prestes a cair em um sono profundo. Fui salva pelos meus guias, que rapidamente me ensinaram a usar a cera que carregavam em uma cabaça para tapar os ouvidos.

Abandonamos o acampamento no mesmo instante e fugimos para o Sul, na direção do rio, de onde partimos apressadamente de volta para a aldeia em que eu estava instalada durante aquela temporada de caça.

No dia seguinte, um xamã da tribo veio me ver para explicar o que é que eu havia escutado na mata. Eu cheguei bem perto da fronteira com as florestas das das Colinas Brancas. Essas colinas, cobertas por uma névoa densa e misteriosa, eram conhecidas por abrigar várias espécies de seres perigosos que desafiavam a compreensão das pessoas. Entre essas criaturas, as Harpias eram as mais temidas.

As lendas diziam que as Harpias tinham a aparência de pessoas ferais, como se fossem um tipo de híbrido entre pessoas e aves de rapina. Em geral o seu aspecto era mais humanoide que feral e em geral também havia mais Harpias fêmeas que machos. Seus braços costumam ser mais compridos que o de pessoas normais, e suas mãos e pés possuem aspecto escamoso, com garras afiadas e escuras como chumbo. O tom de pele dessas criaturas varia bastante, bem como seu tamanho, exatamente como ocorre com as pessoas comuns. Seus olhos, por outro lado, nada tem a ver com os olhos de pessoas comuns; são como os olhos de aves de rapina como corujas e águias, com pupilas capazes de dilatar e contrair bastante para se ajustar à luminosidade e são capazes de ver um rato do campo a milhares de passos de distância.

Em suas cabeças nasce cabelo exatamente como nas pessoas; mas em geral suas cabeleiras são volumosas e rebeldes. As fêmeas mais velhas costumam ostentar cabeleiras volumosas e compridas; em algumas o cabelo é mais ondulado e oleoso, mas em outras o cabelo é mais cacheado e até mesmo crespo. Embora a cor mais comum de cabelo seja o preto, ouvi relatos sobre raros indivíduos que nascem com cores diferentes, desde branco até cores menos convencionais.

Além do cabelo, essas criaturas possuem uma espécie de penugem em outras partes do corpo, onde pessoas normais teriam pelos.

Outra diferença entre as Harpias e nós é que seus machos não desenvolvem barba ou bigode.

Além dos braços e pernas, essas criaturas ainda possuem um par de asas, ou seja, são criaturas com seis membros ao invés dos convencionais quatro. Em alguns indivíduos as asas são pequenas e lhes permite apenas voar e planar brevemente entre as árvores em sua forma humanoide, porém são voos rápidos e enérgicos. Em outros indivíduos desta espécie as asas são grandes e poderosas, permitindo a seus donos voar e planar em qualquer altitude e distância. Pelos meus conhecimentos como caçadora, eu diria que os indivíduos com asas maiores são mais adaptados para caçar em planícies, bem como estão mais bem equipados para capturar presas maiores. Já os indivíduos com asas menores são mais adaptados para a vida na floresta, abaixo e entre as copas das árvores; onde seus voos rápidos e certeiros lhes permite emboscar a capturar presas desavisadas que perambulam ingenuamente no chão da floresta densa.

Com garras afiadas, asas poderosas e um comportamento extremamente agressivo, as Harpias são caçadoras implacáveis. Costumam vestir túnicas pretas em farrapos e usam acessórios parecidos com os que são usados por xamãs; como amuletos e colares. Em alguns casos, esses colares são sinistros, pois são feitos de ossos de pessoas e até mesmo crânios de pequenos primatas.

Não são criaturas de todo bestiais, pois são dotadas da capacidade da fala e demonstram grande habilidade na manufatura de suas vestimentas e acessórios. Além disso, ostentam marcas semelhantes a tatuagens nos corpo; principalmente nos braços. Essas marcas indicam a que clã pertence e também sua hierarquia dentro do clã. Como elas fazem essas marcas e se são de fato tatuagens, isso é um mistério. Bem como é um mistério saber quanto tempo elas vivem: alguns especulam que algumas harpias vivem séculos, podem ultrapassar milênios. Mas o que mais intriga os caçadores é sua capacidade de metamorfose.

um híbrido de uma striga com uma fúria mitológica, fada selvagem e tenebrosa e feroz com cabelos escuros ondulados e rebeldes, asas escuras, mãos e pés escamosos de ave, garras afiadas, semblante misterioso e belo, dentes afiados, usando os acessórios de uma xamã selvagem, trajando uma túnica negra esfarrapada, colar de dentes, tatuagens tribais, deusa do caos, olhar cruel. floresta com árvores altas na colina, noite, bando de fúrias carniceiras. arte fantástica com toques de terror e cores vibrantes, olhos iridescentes, estilo de arte que combine com o gênero espada e feitiçaria

As Harpias das Colinas Brancas podem se transformar em verdadeiros monstros híbridos. Sua forma metamorfoseada combinava uma cabeça e tronco humanoide com o corpo de uma colossal ave de rapina. Quando estão nessa forma, podem atingir os três metros de altura e suas asas batendo com força enquanto sobrevoavam as florestas causam a impressão de que está havendo uma forte ventania.

Além de possuírem força, agilidade e resistência muito acima de uma pessoa comum, as Harpias possuem poderes mágicos instintivos. Elas os utilizam sem perceber, como se esses poderes fossem extensões naturais de seus corpos. Eram criaturas agressivas, atacando outras espécies e até mesmo Harpias de outros clãs.

uma figura encapuzada conversando com uma harpia mitológica no topo de uma torre alta e escura de um templo em ruínas no topo de uma colina cercada por florestas sombria de árvores altas e névoas misteriosas

Mas o mistério mais profundo estava ligado a um ermitão que habitava as Colinas Brancas. As próprias Harpias o chamavam de “assombrado” ou “o sempre sobre a torre”. Ele vivia no enorme torreão, quase engolido pela vegetação, nas ruínas de um antigo templo. Ninguém sabia como ele controlava as Harpias, mas sua influência era inegável.

As teorias sobre a origem das Harpias eram diversas. Alguns acreditavam que surgiram de experiências alquímicas realizadas pelos antigos feiticeiros do Templo. Outros diziam que a primeira Harpia foi uma mulher amaldiçoada por alguma deidade vingativa. Também há aqueles que acreditam que a primeira harpia foi um xamã que, após atravessar a passagem para o mundo espiritual, se corrompeu enquanto comungava com espíritos malignos e hostis que tinham o desejo de devorar a carne e beber o sangue das pessoas e por isso se uniram ao xamã, lhe conferindo poderes em troca de poder usar seu corpo para caçar as pessoas no mundo concreto. Seja qual for a verdade, uma coisa é certa: cruzar o caminho dessas criaturas significa perigo.

Se você se aventurar pelas Colinas Brancas, tome cuidado para não se perder na estrada e seguir alguma das trilhas que levam ao território das Harpias. Seus cantos hipnotizantes podem fazer com que você durma e sonhe com delírios terrificantes, impedindo que acorde até que seja tarde demais. Dizem que alguns só despertam quando essas criaturas já estão devorando suas vítimas em bandos.

As Harpias das Colinas Brancas são um mistério a ser desvendado, e sua presença é um sinal de perigo iminente. Portanto, mantenha os olhos abertos e a mente alerta quando adentrar essas terras sombrias.

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Éder S.P.V. Gonçalves
Osasco, SP, Brazil
É um ficcionista trevoso; escreve poema, romance e também conto. Mescla tom sério com humor ao falar sobre fantasia, mistério e terror. Mantém um blog onde posta textos por vezes sombrios e temperados com ácido humor.

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