O Fantasma da Opera está em todos nós

Cena de O Fantasma da Ópera da Broadway

Sempre tive um fascínio muito grande pela música “O Fantasma da Ópera” e também muita curiosidade em ler a obra que deu origem a ópera que leva o mesmo nome. Desde de que ouvi pela primeira vez a música, ainda criança, fiquei marcado por esta melodia e pela intensa aura de mistério que ela emana.

Ainda não satisfiz esta minha curiosidade (a de ler o livro: a obra original) e após os últimos dias vejo que é lamentável que eu ainda não o tenha feito.Certamente esta é uma meta de ano novo que eu preciso cumprir em 2022. Ler o livro e também assistir ao filme.

Mas por qual motivo estou às voltas com este tema?

Na verdade, como acontece volta e meia comigo, virei em alguma esquina nos labirintos da minha mente, tropecei em alguma pedra escorregadia e caí por um túnel e quando me dei conta eu já estava mergulhando cada vez mais neste tema: O que diz a letra dessa música? Qual é o real significado dessa história? Não passa de uma novela enfatizando um triangulo amoroso (tema que eu particularmente acho enfadonho) ou há algo mais ali?

Talvez não seja totalmente uma surpresa eu me interessar tanto por esta história (ainda que até o momento eu tenha me limitado a ouvir a música e a assistir a trechos da Ópera); afinal “O Fantasma da Ópera” pertence ao universo da “literatura gótica”.

Sendo sincero, eu não sabia nada disso até me ver mergulhando em minhas pesquisas do tipo “por qual motivo eu gosto”, “o que é isso que eu gosto”, “como vive?”, “o que come?”, “como se reproduz”. Mas, ao pesquisar o que é essa tal de literatura gótica, tudo ficou claro em minha cabeça.

Arte criada por mim no Canva com cena da Ópera

Segundo a Wikipédia: Algumas das principais características da literatura gótica são os cenários medievais (castelos, igrejas, cemitérios, florestas, ruínas), os personagens melodramáticos (donzelas, cavaleiros, vilões, os criados), e como temas abordam como símbolos recorrentes segredos do passado, manuscritos escondidos, profecias, maldições, etc.

Outros elementos comuns na literatura gótica envolvem destacar o uso da psicologia do terror (o medo, a loucura, a devassidão sexual, a deformação do corpo), do imaginário sobrenatural (fantasmas, demônios, espectros, vampiros, bruxas, monstros), das reflexões sobre o poder, da discussão política, dos aspectos religiosos, das concepções estéticas e filosóficas, além de outras possíveis chaves interpretativas.

No que diz respeito ao meu gosto pessoal para literatura e obras correlatas, não tem como eu não gostar desse tipo de coisa. Inclusive eu vi muito dos meus próprios livros nos itens acima. Prova de que essa temática sempre mexeu profundamente comigo.

E ao pesquisar por versões em português da música O Fantasma da Ópera no YouTube (lembrando que o que conhecemos como a música O Fantasma da Ópera é uma de muitas músicas que compõe a opera homônima) eu acabei esbarrando com um vídeo da Nova Acrópole justamente sobre os significados mais profundos desta obra e sobre os motivos pelos quais ela pode ser considerada um mito moderno.

Vou agora abrir um parenteses para dizer que eu sempre gostei muito de Filosofia. Não é para menos que eu gosto tanto dos vídeos da Nova Acrópole e das explicações da professora Lúcia Helena Galvão. Então eu não poderia deixar de indicar o trabalho dela e esse vídeo em específico para quem; assim como eu, gosta de O Fantasma da Ópera.

O Fantasma da Ópera: o profundo significado da obra por Lúcia Helena Galvão



A professora Lúcia explica e exemplifica a estrutura mitológica presente na obra. Bem como detalha o papel de cada personagem ali presente.Achei particularmente interessante pensar que nos mitos temos; no final das contas, um único personagem refletido em vários. Ou seja, cada um dos reflexos trata-se na verdade de um aspecto da mente do personagem central.

Sendo assim, em O Fantasma da Ópera todos os personagens representam aspectos da protagonista Cristine: a crucificada entre dois mundos, sendo cada um destes mundos representado por um personagem.

Enquanto Raul (o patrocinador do teatro) é a ligação de Cristine com o mundo material; aquele em que reside tudo aquilo que alimenta sua paixão, Eric (o fantasma) é a sua ligação com o mundo espiritual; aquele em que reside seu verdadeiro “eu”.

Esta história trata, por tanto, de uma luta interna, na qual a protagonista precisa lutar e escolher um destes dois planos de existência; aquele em que poderá viver suas paixões ou aquele em que poderá ser quem realmente é, independente das regras da sociedade e do mundo material. Ainda mais importante do que retratar esta luta, este mito faz um alerta: por mais que se escolha; no fim das contas, o mundo material (o plano das paixões mundanas), ainda assim não nos veremos livres do nosso “fantasma da ópera”. O nosso verdadeiro “eu” sempre estará em algum lugar nas nossas sombras, nos espreitando e nos perseguindo. Não podemos fugir de quem realmente somos.

Deixo abaixo transcrito a letra da música em português (e também o vídeo no Youtube da interpretação de Thiago Arancam e Carmen Monarcha — esta versão é de arrepiar).

Thiago Arancam e Carmen Monarcha interpretando O Fantasma da Ópera




Letra

[Christine]

Por entre os sonhos meus, sempre a cantar

Aquela voz dos breus, a convidar

Será que o sonho então, não tem mais fim?

O Fantasma da Ópera está dentro de mim


[Fantasma]

Cantemos outra vez, em uma voz

Em meu poder estás, estreitos nós

Tu vais olhar pra trás, mas mesmo ali

O Fantasma da Ópera está, dentro de ti


[Christine]

Quem viu teu rosto então, só fez fugir

Sou tua máscara


[Fantasma]

Quem vai ouvir?


[Christine e Fantasma]

Tua/Minha alma e minha/tua voz, irão se unir

O Fantasma da Ópera está, dentro de mim/ti

Ele é o Fantasma da Ópera?

Surgiu o Fantasma da Ópera


[Fantasma]

Em teus delírios tu, me viste ali

Mistério e homem são


[Christine]

Um só em ti


[Fantasma e Christine]

E a escuridão só faz, mostrar que sim

O Fantasma da Ópera está, dentro de mim/ti


[Fantasma]

Canta para mim, meu anjo da música


[Christine]

Em mim o Fantasma da Ópera


[Fantasma]

Canta meu Anjo
Canta para mim

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Éder S.P.V. Gonçalves
Oz, São Paulo, Brazil
Em uma cabana na montanha vive um monstro. A criatura selvagem é um ficcionista perigoso; escreve poema, romance e também conto. Em tom sério (e às vezes também com humor) fala sobre fantasia, mistério e terror. Mil hobbys ele tem; até desenvolvedor de jogos, podcaster e programador. De vez em quando se veste de humano e anda por cidades cinzentas só para saber como é viver em um cenário de horror. Este é um perigoso Ideário, pois é o caderno de anotações de um monstro polimático.