Eclipses Solares: Desvendando Mistérios Ancestrais

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O Poder do Eclipse Solar no Espírito Humano

Quando eu era um jovem garoto, testemunhei um eclipse. Aquele evento ficou gravado em minha mente em grande parte por causa de um episódio de "As Aventuras de Tintin", em que um eclipse quase leva ao sacrifício humano na cordilheira dos Andes por um povo que ainda seguia seus antigos rituais cujo objetivo era apaziguar a ira do Deus Sol. Mas quais perigos um eclipse podem proporcionar nos dias de hoje? Será que os antigos povos tinham reais motivos para crer que os eclipses eram um sinal dos deuses ou dos espíritos de que algo muito errado poderia ocorrer se seus sacerdotes e xamãs não interviessem de alguma forma?

Sabemos que hoje a ciência explica os eclipses solares e que no mundo moderno não há espaço para temores como esses que nossos antepassados carregavam consigo. Ainda assim, mesmo que a ciência possa explicar coisas como a chuva, os eclipses e a neve, isto não significa que estes fenômenos da natureza possam ser subestimados ou que os antigos mitos e lendas devam ser esquecidos e muito menos menosprezados.

Claro, não estou dizendo que sacrifícios humanos ou animais devem ser realizados nos dias atuais para que o deus Sol nos devolva sua luz. Não obstante, nossa espiritualidade pode se beneficiar desse contato com a natureza e com os fenômenos naturais e isso inclui o eclipse solar.

A nível de exemplo, assiste a uma série recentemente, que se chama House Of Ninja. O enredo da série não vem ao caso nesse post (deixo para falar dela em outra oportunidade), mas há nela um evento simbólico: um eclipse solar. Na verdade, o eclipse solar é literal no enredo da série: ocorre um eclipse solar que deixa todos entusiasmados; porém, um clã de ninjas terroristas planeja usar a referência ao eclipse para realizar um plano terrorista, no qual planeja causar o “eclipse” da sociedade atual em prol de dar inicio a uma nova ordem social que esteja mais alinhada com suas crenças. Claro, estou falando aqui em simbolismos. Mas nossa realidade e nossa sociedade não são construídas com base em fatos científicos, e sim com símbolos e ideias que guiam os passos da humanidade.

Pensando dessa forma, a ideia do eclipse do sol na visão dos povos antigos realmente moldou suas realidades simbólicas, o que impactou diretamente em suas realidades físicas.

Eu gostaria agora de dar alguns exemplos de culturas antigas ao redor do mundo que realizavam rituais durante os eclipses solares e de casos em que os eclipses solares influenciaram o curso da história de alguns desses povos ancestrais. E gostaria de concluir com a visão que os povos aborígenes da América do Norte possuem do eclipse, pois no próximo dia 8 desse mês de Abril de 2024, ocorrerá um eclipse total do sol, completamente visível justamente da América do Norte.

Vestígios ancestrais:

China: Na China antiga, o eclipse solar era visto como um sinal de que o Imperador havia perdido o favor do Céu. O evento era interpretado como um aviso de que o governante precisava mudar seu comportamento e tomar medidas para corrigir seus erros. Caso contrário, o país sofreria graves consequências, como fome, guerras e calamidades naturais.

Egito: No Egito, o eclipse solar era associado à batalha entre o deus Sol Rá e a serpente Apep, que representava o caos e a escuridão. Durante o eclipse, os egípcios realizavam rituais para ajudar Rá a derrotar Apep e garantir a volta da luz ao mundo.

Maia: Os maias acreditavam que o eclipse solar era um momento de grande perigo, pois representava a morte do deus Sol. Durante o evento, os maias se escondiam em suas casas e realizavam rituais para proteger-se dos espíritos malignos que, segundo eles, eram libertados durante o eclipse.

Guaranis: Os guaranis acreditam que o fim do mundo acontecerá quando a onça devorar a Lua, o Sol e os outros astros, fazendo com que a Terra caia na mais completa escuridão. Para espantar a onça, os indígenas fazem a maior algazarra durante um eclipse solar ou lunar. Os guaranis observavam os movimentos do Sol e da Lua e preocupavam-se em prever os eclipses.

Vikings: Os povos nórdicos tinham uma visão mitológica dos eclipses solares. Eles acreditavam que lobos gigantes, conhecidos como Sköll e Hati, perseguiam o sol e a lua para devorá-los durante os eclipses. Acreditava-se que o sol era salvo quando as pessoas faziam barulho para afugentar os lobos. Essa crença reflete a importância dos mitos e da natureza na cultura nórdica antiga.

Inuit: De acordo com a mitologia dos povos Inuit, a deusa do Sol, Malina, e o deus da Lua, Anningan, têm uma relação complexa. Eles costumavam ser irmãos e brincavam juntos. No entanto, quando se tornaram adultos, Anningan violou Malina. Ela fugiu para o céu, onde se tornou o Sol, enquanto Anningan se tornou a Lua. A corrida eterna entre eles faz com que o Sol e a Lua alternem no céu. Ocasionalmente, Anningan alcança Malina e a viola novamente, causando um eclipse solar. Durante esses eventos, os homens devem ficar em casa, e as mulheres também durante um eclipse lunar. A deusa do Sol e o deus da Lua são espíritos vingativos que enviam doenças a quem os ofende.

Influenciando na história

Batalha de Allia (390 a.C.): Segundo a tradição romana, um eclipse solar teria contribuído para a derrota dos romanos na Batalha de Allia contra os gauleses. O evento teria sido interpretado como um sinal de que os deuses estavam descontentes com os romanos, o que teria desmoralizado o exército e levado à sua derrota.

Morte de Confúcio (479 a.C.): Na China, a morte de Confúcio, considerado um dos maiores filósofos da história, teria coincidido com um eclipse solar. O evento foi interpretado como um sinal de que o mundo havia perdido um grande líder e que tempos sombrios estavam por vir.

Visão Aborígene na América do Norte

Os povos aborígenes da América do Norte possuem uma rica tradição xamanista que atribui grande significado aos eclipses solares. Segundo suas crenças, o eclipse representa um momento de grande poder espiritual, em que o mundo natural e o espiritual se conectam.

Como exemplo, vamos falar sobre o povo Hopi...

Os Hopi: uma tribo nativa americana que vive no sudoeste dos Estados Unidos, possuem uma rica tradição cultural e espiritual que inclui uma visão única sobre o eclipse solar. Para eles, o eclipse solar representa um momento de grande importância e significado espiritual. Eles acreditam que o eclipse é um sinal de que o mundo está em desequilíbrio e que é necessário buscar harmonia e equilíbrio. Segundo a mitologia Hopi, o eclipse solar é causado por um sapo gigante que engole o Sol. Durante o eclipse, os Hopi realizam rituais e cerimônias para ajudar o Sol a retornar e restaurar o equilíbrio no mundo.

No próximo dia 8 de abril de 2024, um eclipse total do sol será visível da América do Norte. Para os povos aborígenes, este evento será uma oportunidade para se conectar com seus ancestrais, celebrar a natureza e buscar orientação espiritual. Para o povo da cidade, talvez este evento não passe de um fenômeno natural explicado matematicamente pela ciência. Talvez a visão do povo da cidade seja apenas uma meia verdade, pois explicar um fenômeno de forma ciêntifica não o torna menos espiritual e talvez até os espíritos gostem de matemática e astrônomia... Quem sabe o que podemos ganhar unindo em uma só visão os conceitos espirituais e ciêntificos?

Conclusão

Embora a ciência explique os eclipses solares como eventos naturais, a sombra do passado ainda paira sobre eles. Os antigos rituais e crenças nos oferecem uma perspectiva valiosa sobre como nossos ancestrais interpretavam esses eventos e como eles influenciaram o curso da história. Mesmo hoje, podemos encontrar beleza nos eclipses se os observarmos de uma perspectiva espiritual.

O eclipse solar de 8 de abril de 2024 será uma oportunidade para refletir sobre o significado desses eventos e para nos conectarmos com a sabedoria ancestral dos povos aborígenes da América do Norte.

E você, o que acha? Os eclipses solares ainda guardam algum mistério?

Vou ficando por aqui. Até o próximo eclipse 🌒

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Éder S.P.V. Gonçalves
Osasco, SP, Brazil
É um ficcionista trevoso; escreve poema, romance e também conto. Mescla tom sério com humor ao falar sobre fantasia, mistério e terror. Mantém um blog onde posta textos por vezes sombrios e temperados com ácido humor.

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